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Snopes: “Facebook não tem compromisso em combater fake news”

Rafael Arbulu

Um dos sites mais populares do mundo na checagem de fatos e informações na internet, o Snopes não vê com bons olhos as práticas recentemente anunciadas pelo Facebook no combate às fake news na internet. Pela percepção de executivos do site, não há engajamento ou compromisso do Facebook – em especial, Mark Zuckerberg – em propor uma ação real ao problema de desinformação online.

“Não havia nenhum engajamento do Mark [Zuckerberg]. Eu não acho que ele esteja compromissado com isso. Eu não acho que ele queira perseguir esses projetos, e nós não estávamos conseguindo um debate com a única pessoa que poderia trazer mudanças. A falta de participação dos executivos C-Level [os mais altos cargos de uma empresa] era bem óbvia”, disse o vice-presidente de operações do Snopes, Vinny Green.

O Snopes e o Facebook eram parceiros de combate à desinformação desde as eleições presidenciais americanas de 2016 até o início de 2019. Green explicou que o fim da parceria foi iniciado pelo Snopes, que começou a ficar dependente demais do dinheiro trazido pela maior rede social do mundo para agir. O executivo ainda complementou, dizendo que manter a relação com o Facebook estava indo no caminho contrário à missão do Snopes. “Nós temos um orçamento operacional anual de US$ 3 milhões”, contou Green ao Digital Trends, na mesma hora em que revelou que o Snopes, desde o fim da parceria, conta com uma campanha de financiamento coletivo para entrar em 2020 com maior independência.

O CEO e co-fundador do Facebook, Mark Zuckerberg

O episódio é mais uma crítica ao Facebook ao meio de vários outros canais que adotaram uma postura similar. Isso porque, nos últimos meses, a rede social fundada por Mark Zuckerberg vem afirmando que, com base em sua nova política de combate à desinformação, vai marcar e evidenciar visualmente uma notícia falsa, inclusive reduzindo sua abrangência, mas não vai efetivamente deletar uma postagem falsa. A rede se defende, dizendo que apagar uma publicação, ainda que falsa, seria um ataque à liberdade de expressão do seu autor.

Por ora, a prática ainda não parece estar em efeito, já que o próprio Snopes ampliou ainda mais a sua credibilidade após uma série de investigações veiculadas pelo site fez com que o Facebook removesse mais de 600 perfis, grupos e páginas falsas. Segundo o Snopes, tais perfis eram ferramenta de uma rede que gerava engajamento artificial para conteúdos deliberadamente falsos ou propositalmente desinformativos em favor de um site de notícias que favorecia o presidente Donald Trump.

Fonte: Canaltech

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