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Snapchat anuncia que não vai mais promover postagens de Donald Trump

Felipe Ribeiro

O Snapchat anunciou de maneira oficial que não irá mais promover as postagens da conta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em comunicado, a rede social disse que tornará o conteúdo mais difícil de encontrar, muito embora também tenha dito que não irá excluir nenhuma das postagens já feitas ou futuras. A medida ocorre depois que a empresa publicou um memorando do CEO Evan Spiegel no qual ele convoca uma comissão de análise e parece condenar a retórica de Trump, embora não tenha mencionado o presidente pelo nome.


Segundo a empresa, a medida visa inibir a transmissão do que, de acordo com ela, é um conteúdo que incita violência e injustiças raciais, e foi tomada após o presidente, por meio do Twitter, ameaçar manifestantes caso eles invadissem a Casa Branca. "No momento, não estamos promovendo o conteúdo do presidente na plataforma Snapchat Discover. Não ampliaremos vozes que incitam violência e injustiça raciais, oferecendo-lhes promoção gratuita no Discover. A violência racial e a injustiça não têm lugar em nossa sociedade e estamos juntos a todos que buscam paz, amor, igualdade e justiça nos EUA", disse um porta-voz da empresa, em comunicado.

Em resposta a atuação do Snapchat, o diretor de campanha de Donald Trump, Brad Parscale, acusou a empresa de tentar fraudar as eleições de 2020, que serão disputadas no segundo semestre. Para ele, a rede social não adotou o mesmo critério de mitigação para postagens que mostravam ruas, lojas e edifícios sendo depredados nas manifestações contra a morte de George Floyd, que morreu após ser asfixiado por um policial em Minnesota.


"O Snapchat está tentando fraudar a eleição de 2020, usando ilegalmente seu financiamento corporativo para promover Joe Biden e suprimir o presidente Trump. O CEO da Snapchat, Evan Spiegel, prefere promover vídeos esquerdistas com violência extrema e incentivar seus usuários a destruir os EUA do que compartilhar as palavras positivas de unidade, justiça e lei e ordem do nosso Presidente", escreveu Parscale.

Além disso, Parscale acusa o Snapchat de perseguir conservadores na rede social. “O Snapchat odeia que muitos de seus usuários assistam ao conteúdo do presidente e, portanto, estão envolvidos ativamente na supressão de eleitores. Se você é um conservador, eles não querem notícias suas, não querem que você vote. Eles veem você como uma pessoa deplorável e não querem que você exista na plataforma deles", afirma.

A campanha de Trump é bastante ativa no Snapchat, inclusive comprando publicidade no aplicativo. Os anúncios não serão afetados pela decisão do Snap e o conteúdo de Trump continuará sendo exibido para os assinantes, bem como para os que o procurarem. Mas a empresa não fornecerá mais incluirá postagens de Trump na seção "Para você" do Discover.

Apesar das acusações de Parscale, o Snapchat possui um tratamento diferenciado quanto a postagens políticas. Ao contrário do Facebook, a rede social faz uma checagem desse tipo de anúncio, o que leva a crer que as campanhas de outros políticos também são analisadas constantemente.

Fonte: Canaltech