Mercado fechado

Smartphone refabricado é opção barata e ecológica de ter um topo de linha antigo

Wagner Wakka

Se você já foi aos Estados Unidos ou fez uma compra "lá fora", pode ter se deparado com produtos chamados de refurbished. O termo pode ser traduzido para o português como restaurado ou refabricado. A ideia é pegar um produto que seria jogado no lixo, reaproveitar peças e até somente reformar algumas partes para que ele possa ser vendido novamente no mercado.

A prática é bem comum fora do Brasil, e ainda não tem tanta força em nosso país. Mas, por que ter este trabalho para salvar um aparelho? A primeira vantagem é o preço. “Os produtos que a gente revende aqui chegam a ser 30% mais barato que um novo. Alguns aparecem até por 60% menos custo”, explica Danilo Martins, sócio-diretor da Yesfurbe.

O negócio da empresa é exatamente este, pegar aparelhos antigos e reaproveitar peças, trocar algumas outras e revendê-los. Segundo o diretor, somente 20% do que chega para a companhia é descartado totalmente.

A mudança de paradigma acompanha uma preocupação mundial sobre meio ambiente e lixo eletrônico. A pesquisa encabeçada pela ONU chamada The Global E-waste Monitor, de 2017, mostrou que, em média, uma pessoa produz 6,7 quilos de lixo eletrônico por ano.

Tendência e aumento do lixo eletrônico gerado (Arte e Dados: The Global E-waste Monitor)

No total, apenas 20% destes materiais são reciclados, sendo que a taxa brasileira é de somente 2% de recuperação. Segundo o Monitor, nosso país produz anualmente 1,5 mil tonelada de lixo eletrônico. Assim, nos posicionamos como o sétimo maior produtor no mundo, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha e Reino Unido, do maior para o menor. A tendência é só o crescimento mundial.

Ou seja, buscar um aparelho refabricado também pode ser uma opção para evitar desperdícios. Metais como prata, gálio, arsênio e cobalto estão em escassez e estão presentes na maioria dos aparelhos eletrônicos, principalmente em smartphones. Em um iPhone, por exemplo, há perto de 25 gramas de alumínio, 15 gramas de cobre e 0,34 grama de prata.

Acesso ao mais caro

Segundo Martins, o mercado de refabricados tem crescido no Brasil. “É um conceito já forte lá fora e está começando a pegar aqui também”, conta. A Yesfurbe viu aumento de 526% na demanda de refabricação em um ano de operação.

A principal forma de acesso da companhia é com varejistas. “Sabe quando você vai comprar o seu aparelho e a loja dá um desconto se você levar o modelo antigo? Pois é, nós compramos deles”, brinca Martins.

Contudo, uma pessoa física pode vender seu aparelho para a Yesfurbe. Neste caso, é preciso enviar o aparelho pelos Correios e o usuário ganha créditos na loja da empresa para comprar outro smartphone. “Queremos implementar o pagamento em dinheiro, mas ainda não está funcionando”, diz o diretor.

 Danilo Martins, sócio-diretor da Yesfurbe (Foto: Dinho Rodrigues)

O mercado brasileiro de smartphones é de um perfil que consome bastantes aparelhos de entrada e intermediários, além de estar disposto a investir em modelos de ponta mais antigos. Segundo o sócio, há um forte apelo por aparelhos como iPhones mais antigos, como o iPhone 7, e os Galaxy S8 e S9, da Samsung.

Confiança

A vantagem, segundo Martins, está na garantia. Primeiro, não se trata mais de mercado informal, em que não se sabe, por vezes, qual a procedência do produto. “É mais seguro do que comprar com particulares no Mercado Livre ou OLX, e a ideia é a mesma”, conta o diretor.

Quando eles recebem um aparelho, há uma análise do que pode ser aproveitado e se aquele dispositivo será refabricado para voltar a ser vendido, ou se só haverá aproveitamento das peças. O que não é utilizado, a empresa faz um descarte ecológico.

Aparelhos são testados antes de serem vendidos novamente (Foto: Dinho Rodrigues)

Depois de todos os retoques, há também testes para confirmar a qualidade do produto, e então ele vai para o consumidor. Por lei, é preciso oferecer pelo menos 3 meses de garantia, mas a empresa dá 6 meses ao comprador.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: