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Sistema de saúde “entra em colapso” em abril, diz Mandetta

Isadora Peron, Murillo Camarotto e Matheus Schuch

Tendência é que número de casos desacelere em junho e só comece a cair em agosto, afirmou O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta sexta-feira que a expectativa, diante do atual cenário de avanço do contágio pelo novo coronavírus, é que o sistema de saúde entre em colapso no fim de abril.

“Em final de abril nosso sistema entra em colapso. O colapso é quando você pode ter o dinheiro, mas não há sistema para entrar”, disse em videoconferência com empresários no Palácio do Planalto.

Segundo Mandetta, ainda não estamos na espiral de crescimento do vírus, mas haverá um rápido aumento no número de casos nos próximos dez dias, que durará até junho. A tendência é que o número de casos de covid-19 no país desacelere em junho e só comece a cair em agosto, afirmou.

Apesar disso, ele criticou as decisões tomadas pelos Estados de fecharem estradas e divisas, assim como o presidente Jair Bolsonaro, que foi o primeiro a falar. O ministro citou como exemplo o fato de uma fábrica de máquinas de oxigênio ter tido que parar de funcionar por conta das decisões dos governadores.

Fabio Rodrigues Posebom/Agência Brasil

“Comando das linhas de transporte deve ser federal. Fechar estradas e aeroportos não pode ser descentralizado, ou vira bagunça”, disse. “Mais difícil do que fechar uma cidade é saber quando reabrir. Questão econômica é dramática”, pontuou.

De acordo com Mandetta, o impacto das medidas que estão sendo tomadas hoje, de reduzir a circulação das pessoas pelos próximos 14 dias, só será visto 28 dias depois.

Sistema de saúde

O ministro afirmou que a expansão do sistema de saúde brasileiro precisa ser feita “de forma ordenada” para combater a disseminação do vírus. “Nosso sistema tem espaço para crescer, mas temos que fazer isso de forma ordenada”, afirmou.

“Estamos achando as alternativas dentro do parque industrial brasileiro”, disse, destacando que a produção de ventiladores para respiração, por exemplo, irá “dobrar, triplicar”.

Segundo ele, o país pode ter “vários graus de problemas” e o governo irá “monitorá-los para que não tenhamos um colapso”.

“Médicos estão convocados”

O ministro afirmou também que os médicos brasileiros não estão sendo convidados, mas convocados a atuar no combate à pandemia. “Médico não está sendo convidado, é convocação. Todos os médicos precisam trabalhar. Nós temos 700 mil médicos”, disse.

Mandetta argumentou que “não existe conceito de voluntariado, nem para médico, nem para enfermeiro, nem para fisioterapeuta”.

Ele pediu auxílio a redes privadas de hospitais e clínicas para absorver a demanda oriunda da pandemia e afirmou que a situação no Rio de Janeiro é uma das mais preocupantes, pois parte da população, principalmente nas favelas, está mais vulnerável.

“No Rio, eu preciso da Rede D’Or”, afirmou. Em seguida, ele também pediu auxílio da rede Hapivida, no Nordeste.

“O vírus é agressivo para o sistema de saúde porque as pessoas continuam tendo infarto, outras doenças”, complementou.