Sindicatos discutirão greve nos bancos Itaú e Santander

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) vai consultar seus mais de cem sindicatos associados para que os funcionários dos bancos Itaú e Santander entrem em greve. "Devemos fazer isso (a consulta) na próxima semana. Depois, vamos convocar a greve", disse nesta quinta-feira o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, classificando a paralisação como "provável".

De acordo com a Contraf-CUT, a greve seria uma resposta para as duas instituições que, sem qualquer negociação, promoveram nos últimos anos alta rotatividade, dispensando colaboradores e contratando outros com salário mais baixo, além de reduzirem postos de trabalho.

Uma audiência de mediação entre a Contraf-CUT e os dois bancos na quarta-feira (16) terminou sem acordo. Messias Melo, secretário de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), explicou que o encontro buscava um acerto sobre dois aspectos: a prestação de informações, ou seja, os bancos informarem aos sindicatos os mesmos dados que repassam ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e a adoção de conversas prévias com os sindicatos a fim de se evitar demissões.

Conforme a Contraf-CUT, representantes do Itaú e Santander e o representante da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Magnus Apostolico, recusaram-se a negociar. "Os bancos não fornecem dados transparentes, não tomam medidas para evitar as demissões e não aceitam negociar, então só sobra a greve como medida. Os sindicatos não podem só ficar olhando", afirmou Cordeiro.

Segundo o último balanço do Itaú, o número de colaboradores no Brasil recuou de 98.258 para 90.427 de janeiro a setembro de 2012, queda de 8%. Considerando um período mais amplo, de abril de 2011 a setembro de 2012, foram fechados na instituição 13.595 vagas, uma redução de 13%. Já o Santander cortou 955 empregos somente em dezembro último, após determinação da Justiça para que o banco divulgasse os dados.

Em nota, a Fenaban informou que os bancos e a representação dos bancários têm a mesa de negociação mais complexa do País. Para a entidade, não é necessário um "fórum alternativo" para tratar de questões que envolvem os bancários. "Os lados têm maturidade suficiente para tocar as negociações", escreveu Apostolico. A nota informou ainda que, em relação aos dados do Caged, eles são encaminhados, mas não de forma individualizada. "Nós negociamos com o todo e não de forma particularizada", afirmou a nota.

O secretário do Trabalho disse que o governo está atento. "É importante que (os bancos) mantenham os empregos, para que o País continue crescendo e distribuindo renda." Ele afirmou ainda que a União vai continuar insistindo para que os bancos sejam mais transparentes e discutindo a alta rotatividade do setor.

Questionado se a greve preocupa, o secretário afirmou que é sempre melhor que não ocorra. "O governo prefere que se chegue a um acordo, sem greve, mas não nos cabe opinar. A greve é um direito dos trabalhadores. Vamos ficar de olho para que não haja prejuízo ao cidadão."

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