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Sinal Wow! | Esta estrela pode ser a fonte do sinal que nos intriga há 43 anos

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

Em 15 de agosto de 1977, o Big Ear Radio Telescope detectou um sinal forte vindo do espaço, com duração de 72 segundos. Foi algo realmente sem precedentes, e que nunca mais se repetiu. Alguns pesquisadores sugeriram que poderia ser um sinal vindo de uma civilização alienígena tecnologicamente evoluída, mas ninguém conseguiu encontrar a fonte dessa emissão — até agora, talvez.

O sinal era tão poderoso e incomum que Jerry Ehman, o astrônomo que analisou a detecção, anotou o papel onde os dados foram impressos com a palavra “Wow!”, (ou “Uau!”, em português). Isso acabou fazendo com que o fenômeno fosse apelidado de “WoW! Signal”, ou "Sinal Wow!". O diretor do observatório, John Kraus, usou esse termo ao escrever sobre o assunto para Carl Sagan, na época.

Astrônomos procuraram incansavelmente por um outro sinal parecido, mas jamais encontraram. O que é uma pena, pois o sinal era tao forte e peculiar que talvez revelasse algo ainda desconhecido pela humanidade — ao menos foi o que muitos cientistas cogitaram. Kraus e outros procuraram também por estrelas semelhantes ao Sol que pudessem ser a fonte do sinal, mas nenhuma foi encontrada na área de onde o sinal veio.

Porém, um astrônomo amador utilizou dados de um mapa espacial 3D para refazer a busca, e pode ser que o mistério tenha sido resolvido. O mapa em questão foi produzido com os dados do Gaia, um observatório espacial da Agência Espacial Europeia (ESA) cuja missão é revelar a composição, formação e evolução de nossa galáxia em um mapa tridimensional. Ele já cobriu quase 1,7 bilhão de estrelas, o que permitiu inclusive o rastreamento de asteroides novos e até mesmo alguns "perdidos".

(Imagem: Reprodução/ Big Ear Radio Observatory/North American Astrophysical Observatory)
(Imagem: Reprodução/ Big Ear Radio Observatory/North American Astrophysical Observatory)

A tarefa da missão Gaia é simples: criar o mapa galáctico mais detalhado já feito. Dois conjuntos de dados já foram publicados pela equipe, um em 2016 e outro em 2018. Juntos, eles já revolucionaram o estudo da Via Láctea, permitindo milhares de pesquisas sobre a estrutura e os movimentos que ocorrem ao longo da galáxia.

Pois bem, o astrônomo amador Alberto Caballero decidiu usar o banco de dados do Gaia para buscar uma possível fonte do Sinal Wow!. Nesse impressionante mapa da galáxia, ele procurou novamente por estrelas parecidas com o Sol na região do céu de onde o sinal teria vindo. A pesquisa retornou apenas uma candidata: a estrela 2MASS 19281982-2640123, localizada na constelação de Sagitário, a uma distância de 1.800 anos-luz.

Essa estrela é idêntica ao nosso Sol, com a mesma temperatura, raio e luminosidade. Isso não significa que esta seja a fonte do Wow!, mas prova que o Gaia encontrou uma estrela nessa região que os catálogos anteriores não conheciam. Por isso Kraus e outros astrônomos não encontraram nada semelhante ao Sol por ali.

De acordo com Caballero, seu trabalho mostra que, naquela região, há muitas estrelas que são muito fracas para serem incluídas nos catálogos. E uma delas pode ser a fonte do sinal misterioso. Inclusive, há cerca de 66 outras estrelas no mapa do Gaia que Caballero identificou como candidatas potenciais, mas com menos evidências porque os dados sobre a luminosidade e raio desses objetos estão incompletos.

Mapa da Via Láctea criado pelo Gaia contendo o posicionamento de quase 1,7 bilhão de estrelas (Imagem: Reprodução/ESA)
Mapa da Via Láctea criado pelo Gaia contendo o posicionamento de quase 1,7 bilhão de estrelas (Imagem: Reprodução/ESA)

Mas por que procurar estrelas semelhantes ao Sol? É que, assim, os cientistas podem apontar para elas seus telescópios para tentar descobrir se existem planetas em suas órbitas. Se o Sinal Wow! foi, de fato, produzido por uma civilização alienígena, essa é uma boa maneira de procurar.

E, mesmo se tal sinal tiver sido produzido por algum outro tipo de fenômeno cósmico, a pesquisa de Caballero é útil para mostrar que, de fato, o Gaia conseguiu registrar estrelas que não existiam nos catálogos anteriores. Pode ser que, no futuro, o telescópio espacial da ESA — ou futuros observatórios ainda mais poderosos — volte a analisar aquela região com mais atenção, e acabe encontrando outras coisas interessantes por lá.

Fonte: Canaltech

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