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Sinal vermelho: rede pública do Rio tem 15% de seus 639 leitos de UTI para Covid-19 fechados

Felipe Grinberg e Lucas Altino
·4 minuto de leitura

A fila não anda, a conta não fecha e o drama de cada dia aumenta. Enquanto a cidade do Rio de Janeiro vê a procura por leitos de UTI Covid aumentar, com a volta da disputa por vagas, a rede SUS na capital tinha nesta quarta-feira 15% de seus 639 leitos de terapia intensiva exclusivos para a doença (que inclui unidades municipais, estaduais e federais) fechados. O termo técnico usado para definir a condição é: leito “impedido”. Os principais gargalos estão na esfera da União, no Hospital Clementino Fraga, que é administrado pela UFRJ, e no Hospital Geral de Bonsucesso, que pegou fogo no mês passado. O primeiro tem 48 leitos fechados, o segundo, 30.

Até esta quarta-feira à noite, a taxa de ocupação de UTI Covid na rede pública do Rio era de 90%, e 84 pessoas aguardavam por uma transferência. Havia, no entanto, 56 vagas disponíveis. Ou seja: uma fila de 28 pacientes. Em todo o Estado do Rio, 115 pessoas esperavam por um leito. A realidade de uma provável segunda onda da doença na cidade vem se impondo aos poucos: desde o o dia 31 de maio, não se tinha registro de filas, situação que começou a mudar na última terça-feira.

A cruel espera não é o único indicativo. Nesta quarta-feira, a média móvel chegou ao nono dia de alta, com uma subida de 36% no número de casos (3.162) e de 132% no de mortes (115), com tendência de aumento na taxa de contágio da doença. Ao todo, já são 343.995 infectados e 22.256 mortes em todo o território fluminense desde o início da pandemia, em março. A análise dos dados foi feita a partir do levantamento do consórcio de veículos de imprensa.

Mesmo diante desse quadro, o prefeito Marcelo Crivella descartou a possibilidade de lockdown e assegurou que a rede municipal tem capacidade para absorver pacientes da capital e dos municípios da Baixada Fluminense. Segundo ele, o governo estadual ajudará no custeio de profissionais e medicamentos para que leitos existentes entrem em funcionamento. A previsão é habilitar 415 vagas, sendo 123 de UTI, mas ainda não há data prevista.

Dos leitos impedidos, 72 estão parados por problemas estruturais — seja por questões elétricas, escassez de insumos e equipamentos ou realização de obras. A falta de pessoal também tem seu quinhão nessa conta: há 25 vagas de terapia intensiva sem funcionar pois não há profissionais de saúde, sejam médicos (19), técnicos de enfermagem (5) ou enfermeiros (1).

A administração do Clementino Fraga explica que a redução de leitos se deu por conta do fim de contratos com profissionais de saúde e atribui à prefeitura do Rio parte do problema. O município nega. Já o Hospital de Bonsucesso está com alas fechadas desde o incêndio que atingiu um de seus prédios, no fim de outubro. No Fundão, 25 vagas serão reabertas.

Além dos dois hospitais, também há leitos fechados na Fiocruz e no Hospital Federal dos Servidores. A Fiocruz afirmou que a situação é momentânea e novas contratações de médicos e plantonistas e devem acontecer na próxima semana. O Ministério da Saúde não respondeu até o fechamento dessa reportagem.

Nas unidades estaduais, o mesmo acontece no Hospital de Anchieta e no Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião. O governo do estado afirmou que busca reabrir mais leitos para o atendimento.

Para especialistas, a situação já está em estado crítico.

— O anúncio (da abertura de leitos) foi tardio, pois já era um quadro esperado. Podemos viver uma nova tragédia anunciada e que foi alertada antes. Não aprendemos a nos organizar e estamos em uma situação perigosa e de um possível colapso na rede — avalia Gulnar Azevedo, presidente da Abrasco e professora do Instituto de Medicina Social (IMS/Uerj).

Nos últimos meses, o Rio vem sofrendo um desmonte da estrutura do combate a Covid-19. Em maio, a cidade do Rio tinha 2.564 leitos de UTI para a doença. Hoje, são 1.253, numa redução principalmente por causa da desativação de hospitais de campanha do estado e de alas especiais em outras unidades.

Outro agravante é a falta de medicamentos. O EXTRA teve acesso a uma planilha com 46 remédios que estão em falta no estoque central da prefeitura do Rio. Entre eles há insumos básicos, como dipirona e paracetamol. Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde não respondeu os questionamentos. Nesta quarta-feira, o prefeito admitiu que há falta de pessoal e insumos para abrir novos leitos. Nesta quarta à noite, as duas unidades de referência para a Covid-19 administrada pela prefeitura estavam lotadas. Mesmo assim, o hospital de campanha do Riocentro funciona longe de sua capacidade máxima .