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Sinal de rádio na ionosfera de Vênus traz pistas sobre efeitos do ciclo solar

Daniele Cavalcante
·4 minuto de leitura

Lançada em 2018 com a missão de estudar o Sol bem de pertinho, a sonda Parker Solar Probe se aproximou de Vênus para realizar uma manobra conhecida como “empuxo gravitacional”. É que, para chegar até ao Sol, a nave precisa usar o impulso de um planeta como Vênus para mudar sua órbita, reduzindo seu periélio em cada uma das passagens ao redor do sol, até atingir a aproximação máxima. A Parker fez o terceiro sobrevoo por lá em julho de 2020 e surpreendeu os cientistas com um ruído de rádio.

Embora o sinal fosse natural, os pesquisadores não estavam exatamente esperando por ele. Glyn Collison, do Goddard Space Flight Center da NASA conta que quando o instrumento FIELDS da Solar Parker detectou um sinal de baixa frequência por sete minutos, não conseguiu identificá-lo de imediato. Entretanto, a alteração abrupta na frequência de dados chamou a atenção de Collinson porque, de algum modo, o sinal lhe era familiar. “Então, no dia seguinte, acordei”, disse ele, “e eu pensei: 'meu Deus, eu sei o que é isso!'”

Collinson reconheceu o sinal porque já havia trabalhado bastante com dados atmosféricos de Vênus antes — o suficiente para ser reconhecido como um especialista no planeta. Ele já analisou todos os dados de Vênus de missões anteriores, como a Pioneer Venus Orbiter da NASA e o Venus Express da ESA (Agência Espacial Europeia). Várias vezes. Então, ao se deparar com a frequência captada pela Solar Probe, percebeu que a sonda havia atravessado percorrido a atmosfera superior venusiana. Uma boa surpresa que permitirá estudar os efeitos das atividades solares no clima de Vênus.

Em termos de tamanho e estrutura, Vênus não é tão diferente da Terra, e alguns pesquisadores cogitam que ele já foi um lugar favorável à água no estado líquido no passado. Entretanto, nosso vizinho hoje é conhecido como “planeta infernal”, e o motivo é fácil de imaginar — Vênus é quente e tóxico, não só para as formas de vida que conhecemos, como também para nossos instrumentos científicos. Nenhuma das sondas enviadas a Vênus até hoje sobreviveram por mais que alguns minutos.

Felizmente, não é necessário estar em Vênus para saber um pouco sobre sua atmosfera. Ao passar por lá, a sonda Solar Parker coletou um bocado de informações úteis, principalmente sobre a espessura da atmosfera superior. Esta foi a primeira medição direta da atmosfera venusiana em quase 30 anos, e os dados podem ser usados agora para comparar com aqueles mais antigos. Será que Vênus mudou? Bem, os sinais captados parecem bem diferente agora, e um estudo confirmou que a atmosfera superior do planeta está passando por mudanças ao longo do atual ciclo solar.

O ciclo solar se refere à atividade do Sol e corresponde a 11 anos. Durante esse tempo, nossa estrela atinge o chamado mínimo solar, avança para o máximo solar, e depois volta para a menor atividade. Para nós, é fundamental entender os efeitos do máximo solar na atmosfera terrestre e em todo o Sistema Solar, o que, obviamente, inclui Vênus. Entretanto, sem observação direta, não seria possível descobrir muita coisa, e é aí que o sinal de rádio se torna importante.

A última vez em que foram obtidas medições diretas da ionosfera de Vênus foi no ano de 1992, quando o Sol estava perto do máximo solar. Nos anos seguintes, enquanto o Sol ia para o mínimo, os telescópios terrestres sugeriram que mudanças na ionosfera ocorreram — ela se tornava que está no topo, o que facilita o escape de gases para o espaço. Mas isso precisava ser confirmado, e foi através do voo da Solar Parker e da coleta “acidental” dos sinais da ionosfera em Vênus que os pesquisadores puderam ter mais confiança nessa hipótese. Na verdade, eles concluíram que a ionosfera de Vênus está muito mais fina em comparação com as medições anteriores feitas durante o máximo solar.

Essa nova compreensão ajudará os pesquisadores a compreenderem melhor o que aconteceu com o clima de Vênus. Mas para isso, terão que descobrir por que a ionosfera venusiana se afina durante o mínimo solar, e isso é particularmente interessante porque, se Vênus já foi tão parecido com a Terra, queremos evitar o que possa ter acontecido por lá para que o planeta se tornasse tão insólito. Se for verdade que a ionosfera de Vênus está sujeita a vazamentos de gases energizados para o espaço durante o mínimo solar, o próximo passo deve ser coletar dados sobre as mudanças que acontecerão por lá nas próximas fases do ciclo solar.

Fonte: Canaltech

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