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Sinal negativo do Ibovespa predomina com exterior desfavorável e receios fiscais

Por Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O tom negativo prevalecia na bolsa paulista nesta quinta-feira, em meio a um ambiente mais avesso a risco nos mercados externos, onde agentes financeiros ainda repercutem sinalizações aquém das expectativas do Federal Reserve na véspera, enquanto o cenário fiscal ainda preocupa no cenário doméstico. [

Às 11:10, o Ibovespa caía 0,31 %, a 99.371,03 pontos. No pior momento, chegou a 98.561,51 pontos. O volume financeiro era de 4,6 bilhões de reais.

O Fed manteve as taxas de juros perto de zero na quarta-feira e fez uma nova e ousada promessa: mantê-las nesse patamar até que a inflação esteja no caminho para "superar moderadamente" a meta de 2% do banco central norte-americano "por algum tempo".

Na visão do analista de mercado Milan Cutkovic, da AxiCorp, o banco central norte-americano sinalizou que as taxas permanecerão baixas nos próximos anos, ao mesmo tempo que destacou os riscos para a recuperação econômica e que mais estímulos fiscais serão necessários.

"Apesar de manter seu viés 'dovish', os investidores parecem estar desapontados", observou, citando que o chair do Fed, Jerome Powell, não apresentou muitos novos detalhes sobre a recente mudança de estratégia do banco central.

"Alguns participantes do mercado também esperavam novas medidas do banco central para manter a recuperação econômica em andamento", acrescentou, avaliando que o foco agora voltará para o Congresso dos EUA, onde democratas e republicanos ainda estão lutando para chegar a um acordo sobre um pacote de estímulo.

Um número acima do esperado para os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, embora desacelerando frente à semana anterior, corroborava o viés de baixa, assim como o de início de construção de novas moradias naquele país.

Em Wall Street, o S&P 500 recuava 0,8%.

No cenário brasileiro, o Banco Central manteve a taxa Selic no piso histórico de 2%, após nove cortes seguidos e, em um comunicado sem grandes novidades quanto à política monetária, reconheceu que a inflação deve acelerar no curto prazo.

"Continuamos esperando que o Copom mantenha a taxa Selic inalterada na próxima reunião... e condicione novos cortes de juros à trajetória fiscal e à mudança nas expectativas de inflação de longo prazo", afirmou o analista de mercados emergentes do Julius Baer, Mathieu Racheter.

Nesse contexto, permanece também o foco dos investidores do mercado brasileiro no cenário fiscal do país. Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o relator do Orçamento a incluir na proposta orçamentária de 2021 a criação de um programa social com a mesma função do Renda Brasil.

DESTAQUES

- VALE ON perdia 0,16%, na esteira da queda dos futuros do minério de ferro na China, mas se afastando das mínimas registradas mais cedo, com o setor de mineração e siderurgia de modo geral ensaiando reação. USIMINAS PNA subia 2,57% tendo ainda de pano de fundo melhora na recomendação, para 'neutra', pelo Credit Suisse.

- ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,46% e BRADESCO PN perdia 0,63%, também enfraquecendo o Ibovespa.

- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON recuavam 0,28% e 0,46%, respectivamente, reduzindo as perdas, conforme os preços do petróleo no exterior mostravam melhora. A companhia também informou que recompra de títulos atraiu ofertas em volume superior a 4 bilhões de dólares.[nL1N2GE0PV]

- AMBEV ON avançava 3,42%, atuando como relevante contrapeso na pressão vendedora, em meio a dados sobre revendedoras da fabricante mostrando crescimento de vendas. Para analistas do Credit Suisse, os números sugerem volumes sólidos para a Ambev no terceiro trimestre.

- JBS ON subia 1,41%, em sessão mista no setor de proteínas do Ibovespa, uma vez que MINERVA ON recuava 2,25% e MARFRIG ON cedia 2,22%. BRF ON tinha elevação de 0,75%.