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Simulador de pai triste: The Last of Us criou um gênero?

·6 minuto de leitura

Seja no Japão feudal, em Midgard ou no meio de um apocalipse zumbi. A figura do pai se tornou um papel recorrente nos videogames, identificando até mesmo o surgimento de um novo gênero para eles. Os jogos que apresentam narrativa emocional com a paternidade sendo um dos pilares da história ficaram conhecidos como “simuladores de pai triste” e estão cada vez mais comuns e famosos.

O "gênero" tem como uma das suas principais referências o sucesso de The Last of Us, de 2013, que faturou o prêmio de melhor jogo daquele ano no The Game Awards.

História improvável de paternidade entre Joel e Ellie foi celebrada nos videogames e vai virar série pela HBO (Imagem: Reprodução/Sony)
História improvável de paternidade entre Joel e Ellie foi celebrada nos videogames e vai virar série pela HBO (Imagem: Reprodução/Sony)

O primeiro The Last of Us solidificou o apelo dos simuladores de pai triste para um mercado que mais tarde assistiu ao reconhecimento de outros títulos do gênero, como The Witcher 3: Wild Hunt (2015) e God of War (2018), ambos também vencedores do prêmio de jogo do ano no The Game Awards.

Apesar do apelo que ganhou a relação paternal entre Ellie e Joel, The Last of Us não inventou a paternidade nos videogames. O jogo também não é a origem do movimento e justificativa para a popularização dos papais no mercado.

Geralt de Rivia e Ciri em The Witcher 3 (Imagem: Reprodução/CD Projekt RED)
Geralt de Rivia e Ciri em The Witcher 3 (Imagem: Reprodução/CD Projekt RED)

Antes da Naughty Dog, a trilogia Gears of War mostrou o herói Marcus Fenix em busca do pai. Em Silent Hill Shattered Memories, de 2009, o jogador controla o paizão Harry Mason em busca da filha Cheryl. Já em Bioshock 2, de 2010, observamos não apenas um pai, como um grande papai, ou Big Daddy, que precisa proteger uma Little Sister como se fosse uma filha. Quando Heavy Rain saiu em 2010, os jogadores tinham que viver a história dramática de Ethan Mars, que estava em busca do filho sequestrado.

A multiplicação dos papais nos jogos, geralmente em narrativas tristes, foi primeiro identificada por uma reportagem do Kotaku. O site talhou, em 2010, o termo “The Daddening Of Video Games”, algo como “a paternização dos videogames” em tradução livre para português, para descrever a popularização desse tipo de história.

Mais tarde, termos como “dad game” (jogo de pai) e father 's shadow (sombra do pai) passaram a ser usados na mídia internacional para identificar como a paternidade se tornou um dos pilares de narrativas nos mais diversos jogos, de diferentes tipos. Foram incluídos nesse novo gênero emergente títulos que invocavam a paternidade, mesmo de forma pouco usual, como as aventuras das franquias Metal Gear e The Last Guardian.

No Brasil, o gênero recebeu o singelo nome de “simulador de pai triste”, etiqueta usualmente usada e propagada pelo jornalista Pedro Henrique Lutti Lippe, o PH.

O que faz dos simuladores de pai triste um sucesso?

Daddy issues entre gamers

Alguns fatos ajudam a entender o momento de destaque para os pais nas histórias dos videogames. Entre o amadurecimento dos desenvolvedores e o envelhecimento do público consumidor, o apelo dos simuladores de pai triste mora principalmente em uma geração que passou a questionar a figura do homem que não pode demonstrar sentimentos, mesmo dentro de casa.

Kratos foi reimaginado como pai do filho Atreus em God of War (Imagem: Reprodução/Sony)
Kratos foi reimaginado como pai do filho Atreus em God of War (Imagem: Reprodução/Sony)

Em conversa com o Canaltech, o psicólogo e gamer Robério Pedroza explicou que o papel do pai em uma relação familiar está em desconstrução, o que leva muitos jovens a questionar a própria concepção de pai e, encontrar em personagens dos jogos, pontos que fazem refletir conceitos que antes estavam até mesmo no subconsciente.

“A gente tem uma intensa capacidade de empatia e projeção. É possível assistir uma história e desenvolver afeto pelos personagens, na medida que as narrativas nos fazem entender questões que antes podiam ser apenas sentimentos sem clareza”, disse.

A figura de Kratos se tornando vulnerável perto do filho ou de um pai como Joel que pode tomar decisões erradas, criam uma ponte para os sentimentos de jogadores que pensam, longe dos controles, em discussões do papel do pai na sociedade.

“O pai e a mãe são aqueles que nos apresentam ao mundo. Por muito tempo, eles tiveram uma figura bem definida, em que o homem era o provedor da casa e tinha que ser respeitado a qualquer custo, sem ser questionado ou demonstrar sentimentos. Era comum ter medo do pai, quando ele chegava em casa do trabalho. Crescemos enxergando os pais como heróis, sem falhas, uma figura autoritária. Amadurecer hoje em dia é olhar para o passado e perceber os erros que foram cometidos por nossos pais. Que eles também são humanos e possuem falhas e momentos de vulnerabilidade", argumentou Robério Pedroza.

“Entender essa dualidade da figura paterna é o que faz esses personagens de jogos criarem uma ponte para os nossos sentimentos”, completou.

Envelhecimento do público

Um público com idade suficiente para pensar nos próprios “daddy issues” também é uma razão para a popularização dos simuladores de pai triste. Os videogames deixaram de ser coisa de criança no final dos anos 90. Com isso, além das aventuras coloridas e infantis, os jogos também se tornaram lar para títulos mais sóbrios, ainda que em mundos de fantasia.

As últimas pesquisas de games no Brasil mostraram que no país, adultos jogam mais videogame do que adolescentes. A edição da Pesquisa Games Brasil 2019 da Sioux Group, Go Gamers, Blend e ESPM, apontou que o maior número de jogadores está na faixa etária entre 25 e 54 anos. Boa parcela desses jogadores (35%), inclusive, já tiveram filhos e tentam entender o que é ser pai.

Apostar no amor incondicional dos pais pelos filhos também se tornou uma forma de fisgar os jogadores mais velhos. Nos jogos, os pais agem em nome da prole, seja para protegê-los ou encontrá-los a qualquer curso. A figura de um pai que cuida de alguém indefeso cria relação com a realidade de jogadores, servindo de gancho emocional que motiva alguém a terminar e se envolver com um jogo.

É natural que um pai se identifique e se engaje emocionalmente muito mais com a jornada de Ethan Winters para resgatar a própria filha do que com a aventura de Leon para salvar a nada legal filha do presidente em Resident Evil 4. Não à toa, Resident Evil: Village, com a jornada de Ethan, deve em breve vender 10 milhões de cópias e se tornar o jogo mais bem vendido da franquia, segundo projeções da Capcom.

Produtores papais

Do lado da produção, a popularização dos simuladores de pai triste se deve a muitos desenvolvedores se tornarem pais na vida real. Se tornar pai foi uma das chaves que guiou Cory Barlog a reescrever o Kratos mais humano e frágil de God of War de 2018. Certamente um contraponto ao guerreiro sanguinolento dos primeiros jogos da franquia.

O fato é que os simuladores de pai triste vieram para ficar. Podemos dizer que o próximo lançamento que se enquadra no gênero é Death Stranding Director's Cut, que chega exclusivamente no PlayStation 5 em 24 de setembro. A expansão mais uma vez coloca o protagonista Sam Porter Bridges em uma relação nada usal com o BB Pod.

E você? Gosta dos simuladores de pai triste? Acha que tem algum outro jogo do gênero que merece destaque? Comente abaixo e compartilhe a sua opinião conosco!

Fonte: Canaltech

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