Mercado fechado

Simulação mostra como a NASA vai tentar desviar a trajetória de um asteroide

Daniele Cavalcante

A comunidade de astrofísicos aguarda ansiosa pelo primeiro lançamento da missão Teste de Redirecionamento de Asteroides Duplos – ou simplesmente DART – criada pela NASA para testar a técnica desvio de asteroides que possam ameaçar a Terra. Cientistas fizeram simulações para averiguar a eficácia da sonda, que usará a técnica do pêndulo cinético para mudar a trajetória de rochas espaciais - e os resultados devem ser de grande importância para as missões.

Um grupo de pesquisadores no Lawrence Livermore National Laboratory (LLNL) está à frente do projeto, e suas descobertas foram publicadas em um artigo na revista Earth and Space Science. Eles conduziram testes em simulações computacionais usando um código chamado de Spheral, que permitiu à equipe agrupar os dados necessários, desde modelos até parâmetros materiais, para uma simulação fidedigna de um impacto com um asteroide.

A primeira sonda DART está programada para ser lançada em 2021, e terá como cobaia um asteroide próximo à Terra. As descobertas dos pesquisadores através dessas simulações devem ser de grande valia para esta ocasião. Eles compararam a eficácia do DART com um experimento de 1991, realizado pela Universidade de Kyoto, que usou um projétil em hipervelocidade lançado contra uma esfera basáltica.

Os resultados dessa comparação apontam que a DART terá uma transferência de momento (em física, é a quantidade de momento, ou seja, balanço ou embalo, transferido entre partículas durante o choque) menor do que o que havia sido previamente calculado. Mike Owen, físico da LLNL, explica que é crucial saber o resultado exato da transferência de momento. “É a diferença entre um desvio de sucesso e um impacto. É crítico que tenhamos a resposta certa. Ter dados do mundo real para comparar é como ter a resposta no fim do livro”.

Pesquisadores compararam os resultados de simulações com dados experimentais e descobriram que o modelo tem um efeito substancial na transferência de momento (Imagem: Lawrence Livermore National Laboratory)

Para ressaltar o que Owen afirmou, Tane Remington, que é a autora principal do artigo publicado, declarou que, mesmo que a probabilidade de um grande asteroide entrar em rota de colisão com a Terra seja pequena, as consequências deste possível impacto são muito grandes, e que o tempo provavelmente seria o maior inimigo se não tivéssemos nada preparado.

O trabalho se trata não de uma empreitada por descobertas no espaço, mas sim uma forma de os humanos conseguirem – ou pelo menos tentarem – proteger a Terra caso um gigante do espaço resolvesse vir na nossa direção.


Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: