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Simulação do BC mostra que 1ª dose imuniza mais de 60% contra mortes por Covid e beneficia retomada

LARISSA GARCIA E FILIPE OLIVEIRA
·5 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou que a vacinação é a variável mais importante para determinar a reabertura da economia. Para sustentar essa afirmação, apresentou simulações feita pela autoridade monetária, com base no cronograma atual de imunização e nas doses disponíveis até o momento. Segundo ele, apenas com a primeira dose seria possível, ao longo do tempo, alcançar um nível de mais de 60% de proteção contra mortes em decorrência da Covid-19. Com a segunda dose, após 14 dias, disse Campos Neto, as simulações apontam para um aumento de 90% de proteção. Durante o evento, o presidente do BC afirmou que a primeira dose proporcionaria 80% de proteção, percentual que aparecia na primeira versão deste texto, mas a imagem do gráfico exposto durante sua fala indicava imunização perto de 60% até a data de 1º de julho. Procurada para explicar a diferença, a assessoria de imprensa do BC disse que Campos Neto cometeu um equívoco e afirmou que vale o dado que aparece no slide. "Fizemos um exercício considerando todas as doses contratadas e garantidas pelo Ministério da Saúde e assumimos que elas serão todas aplicadas de acordo com o cronograma e fizemos duas curvas", afirmou. "Ao longo do tempo, a curva com a primeira dose alcança 80% [de proteção] e a segunda, perto de 90%, após 14 dias da aplicação." Como a pandemia afeta o desempenho de empresas e países, acadêmicos e pesquisadores da área de economia, na tentativa de projetar caminhos para a retomada do crescimento, estudam correlações entre indicadores econômicos e dados sanitários sobre a Covid-19. Campos Neto, desde o início da vacinação no Brasil, vem apresentando simulações desse tipo em eventos, com dados do Ministério da Saúde. A apresentação ocorreu durante a Fintouch, evento virtual da ABFintechs voltado para o mercado de startups, realizado nesta quinta-feira (15). ​"O Brasil tem avançado [na vacinação] e entendemos que essa é a variável mais importante no curto prazo para determinar a reabertura da economia", disse. Segundo o presidente da autarquia, com o avanço da imunização, a economia deverá reabrir no segundo semestre deste ano. “Há grande sobra de doses de vacinas em alguns países, que serão redistribuídos posteriormente”, destacou. Em outro gráfico, Campos Neto mostrou que o Brasil teve retomada mais acentuada na indústria que os outros países emergentes, mas que teve queda após o recrudescimento da pandemia de Covid-19. Ou seja, a trajetória da economia brasileira seguiu o formato de V, com queda e alta acentuadas. Porém a nova variante da pandemia, mais contagiosa, interrompeu o processo, provocando uma nova queda, não tão forte como a primeira, afirma. "Isso mostra que o ciclo econômico está muito ligado ao ciclo da pandemia", disse. O titular do BC afirmou que os preços de alimentos subiram no mundo todo, o que deve penalizar mais países emergentes. "No Brasil e na Turquia tivemos o fato da moeda ter se desvalorizado, então houve aumento ainda maior [em alimentos], mas no geral tivemos essa alta acima do padrão no mundo todo. O alimento pesa mais na cesta dos países emergente", pontuou. Campos Neto disse ainda que a confiança do consumidor caiu na pandemia, especialmente entre pessoas de baixa renda. "Isso está muito ligado ao trabalhador informal que vai depender muito da reabertura do setor de serviços e entendemos que no segundo semestre deve melhorar", analisou. O presidente da autoridade monetária disse que o Brasil é um dos países mais endividados do mundo e que a trajetória da dívida pública, que em sua avaliação já estava ruim, piorou durante a crise sanitária. "O Brasil foi um dos que mais fez [em medidas fiscais] entre os emergentes, mas comparado com o mundo desenvolvido os emergentes fizeram menos", ressaltou. Segundo ele, a crise vai distanciar ainda mais o mundo emergente do desenvolvido. "O distanciamento nessa crise vai se acentuar, especialmente com a reprecificação da inflação", afirmou. Campos Neto frisou que a deterioração do quadro fiscal eleva o prêmio de risco do país junto aos investidores. Ele afirmou que a inflação deve atingir níveis mais altos no meio do ano, principalmente por ter alcançado baixos no ano passado, que é a base de comparação. "Começou o movimento de 'reflation' [reflação], que não é um movimento indicando um grande surto inflacionário, é só uma reprecificação de uma variável, que na cabeça dos agentes de mercado estava morta há muito tempo", disse. Em seu ponto de vista, o ressurgimento da inflação no mundo se deu pelos pacotes de incentivo, avanço da vacinação e dúvidas sobre como será o fim das medidas de estímulo. INOVAÇÃO No evento, Campos Neto também falou sobre o processo de inovação no sistema financeiro. "Existe uma demanda da sociedade para que essa recuperação global da pandemia seja inclusiva e sustentável. A inclusão será empurrada pelo crescimento da tecnologia como instrumento de democratização", disse. Para ele, as fintechs, empresas de inovação ligadas a finanças, são elemento importante para fomentar a competição. Campos Neto afirmou ainda que a tecnologia financeira serve como instrumento de democratização, por isso deve ser fomentada pelo BC. Segundo ele, a quantidade de pedidos de startups para operarem nos formatos previstos pela regulação do BC está em aceleração, o que inclusive exige maior esforço para análise de todos. O presidente do BC afirma que uma área ainda incipiente no mercado brasileiro, mas que deve ganhar espaço, é a de fintechs que usam tecnologia para dar crédito ao setor agrícola. Campos Neto considerou a adesão dos brasileiros ao Pix surpreendente, com mais de 75 milhões de pessoas cadastradas. "Quando começamos a falar em Pix, não tinha ideia de quantas chaves seriam registradas. Os 20 milhões que esperávamos em alguns meses chegaram em dias." Outros assuntos importantes na pauta do BC, segundo seu presidente, são a interação entre pagamentos e mídias sociais e o desenvolvimento de uma moeda digital brasileira.