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Silva e Luna diz que não é correto atribuir alta dos combustíveis à Petrobras

·3 min de leitura
*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  14-09-2021, 12h00: O presidente da Petrobras, General Joaquim Silva e Luna, participa de comissão geral da câmara dos deputados, presidida pelo presidente da câmara deputado Arthur Lira (PP-AL), para falar sobre a política de preços dos combustíveis da empresa. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 14-09-2021, 12h00: O presidente da Petrobras, General Joaquim Silva e Luna, participa de comissão geral da câmara dos deputados, presidida pelo presidente da câmara deputado Arthur Lira (PP-AL), para falar sobre a política de preços dos combustíveis da empresa. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta terça-feira (23) que "não é correto" atribuir à Petrobras o aumento nos preços dos combustíveis. Em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado), ele afirmou que não há monopólio e que a empresa segue os preços do mercado.

"A Petrobras reajusta o preço desses combustíveis observando estas variáveis: mercado externo, mercado interno, como eles se comportam, observamos praticamente três grandes mercados —os Estados Unidos, a Europa e a Ásia— a competição entre produtores e importadores, e a variação do preço no mercado mundial", argumentou.

De acordo com o presidente, nos últimos sete meses, a estatal ficou 95 dias sem alterar o preço do GLP; 85 sem aumentar o valor do diesel; e 56 dias sem elevar o da gasolina. Ele ainda afirmou que os 15 reajustes feitos pela empresa resultaram em 38 altas para os consumidores.

"A contribuição da Petrobras no preço da gasolina é de R$ 2,33 a outra parte é etanol, é distribuição, revendas, tributos e ICMS", explicou.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a se esquivar de críticas sobre o custo dos combustíveis e disse nesta terça-feira que o governo avalia rever "a questão da paridade com o preço internacional". Em entrevista à Rede Correio Sat, da Paraíba, também defendeu mudanças sobre a cobrança de ICMS da gasolina.

"É uma empresa que não tenho domínio sobre ela, tem seu aparelhamento. Ela busca o lucro. Tivemos problema sério, no passado, além da corrupção, com a questão da paridade com preço internacional. Estamos buscando rever essa questão", disse Bolsonaro.

"Ela entrega a gasolina a R$ 2,3 o litro. Chega a R$ 7 no final da linha. É um assunto que sempre procuro debater com a sociedade para demonstrar onde está o problema", afirmou ainda o mandatário.

Na última semana, o preço da gasolina nas bombas ficou em R$ 6,752 por litro, estável em relação à semana anterior. O valor é 6,1% superior aos R$ 6,361 verificados na semana anterior ao reajuste. O aumento na refinaria foi de R$ 0,21 por litro, mas nas bombas a alta já chega a R$ 0,39 por litro.

O preço do diesel também se estabilizou. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o produto era vendido na semana passada por uma média de R$ 5,356 por litro no país. O valor é R$ 0,37 superior ao vigente antes do reajuste nas refinarias

O último reajuste ocorreu há quase um mês, mas a alta acumulada nas bombas é bem superior aos aumentos promovidos pela estatal.

Especialistas atribuem a diferença à evolução da cotação dos biocombustíveis misturados aos dois produtos e pelo repasse das cotações internacionais nas importações por empresas privadas.

Silva e Luna também afirmou que a Petrobras não é a única a fornecer combustível no país e que a gasolina produzida pela empresa representa 40% do consumo dos veículos leves e 62% do consumo de diesel.

"Não há monopólio, reforçamos isso. A Petrobras não é a única supridora do mercado. Atribuir à Petrobras preço do combustível não é correto. Muitos no país não sabem, o consumidor tem opção de escolha para abastecer", disse antes de citar outras empresas que atuam no Brasil, como Vibra, Ipiranga, Raízen e Atem.

Entre as possibilidades avaliadas pelo governo para conter a elevação nos combustíveis está a criação de um fundo de estabilização de preços. Segundo Silva e Luna, os dividendos da Petrobras podem contribuir com esse mecanismo.

"A criação de um fundo de estabilização é uma decisão de política pública. Entendemos que os dividendos da Petrobras podem contribuir muito com essa decisão, que é muito analisada neste momento pelo Senado, pelo governo federal, pela Câmara e pelo nosso Congresso", comentou.

O presidente da estatal disse que a empresa repassou R$ 230 bilhões em tributos e dividendos para a União neste ano e o que o Congresso deve definir o que fazer com esses recursos.

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