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Silt mostra uma civilização esquecida (e mortal) no fundo do mar

Imagine como seria se Limbo e Abzú tivessem um filho mais sinistro. Ele seria Silt, novo jogo indie de quebra-cabeça lançado em 1º de julho de 2022: um game com um visual monocromático em preto e branco que se passa nas profundezas do oceano, onde qualquer coisa pode lhe matar.

Esta é a primeira produção da Spiral Circus Games, um estúdio baseado na cidade de Bristol, na Inglaterra. A equipe fez sua estreia com o pé direito: trata-se de um título sombrio, misterioso e bastante charmoso que, apesar de não ser um terror nem um survival horror, brinca com o desconhecido para provocar uma sensação de angústia no jogador.

O game não tem falas nem uma história definida, ou seja, é aberto para diferentes interpretações. Você controla um mergulhador que, no começo do jogo, está acorrentado sem motivo aparente. É neste momento que você percebe um super poder: possuir animais ao seu redor. Quando isso acontece, seu corpo permanece inanimado e sua consciência é transferida para o peixe em questão.

Cada animal possui uma habilidade específica, útil para fazer algo pelo cenário e resolver uma parte do quebra-cabeça da área. Talvez seja preciso possuir um peixe de cada vez, utilizar inimigos do cenário ao seu favor, envenenar plantas ou até mesmo retomar a consciência do seu corpo original.

À medida que o jogador explora essas águas, encontra o que parece ser ruínas de uma civilização antiga, com engenhocas, cidades e templos completamente submersos. Pinturas pelas paredes indicam que se trata de uma civilização de animais humanoides. Cadáveres pelo chão iguaizinhos ao jogador dão a entender também que mais pessoas passaram por ali recentemente.

Há vários inimigos terríveis no game, e eles aparecem de repente (Foto: Divulgação/Fireshine Games)
Há vários inimigos terríveis no game, e eles aparecem de repente (Foto: Divulgação/Fireshine Games)

Vale ressaltar: você, provavelmente, morrerá várias vezes antes de passar de fase. Às vezes, é preciso seguir uma luz, mas no meio do caminho uma cobra ultrarrápida lhe devora de repente, ou um peixe enorme aparece, ou uma espécie de verme começa a segui-lo sem parar. A violência não é gráfica nem sanguinolenta, mas deixa o jogador tenso e apreensivo. Parte se deve também à trilha sonora, composta por Nick Dymond: a música é sempre abafada e com sons de água, mas o volume aumenta nos momentos de ação.

O jogo é dividido em quatro partes, e no fim de cada uma, você encontra um monstro gigantesco. Como não é possível possuí-los, é necessário descobrir uma forma de matá-los. Quando isso é feito, o mergulhador absorve a energia daquela criatura e… transcende de uma forma espiritual. Novamente: o jogo não explica o que acontece, permitindo que você teorize uma resposta filosófica e, por que não, religiosa.

Por isso, é preciso elogiar o trabalho da Spiral Circus Games, que, com poucas pessoas, conseguiram criar um universo tão fascinante e inspirador. É possível perceber diferentes camadas de profundidade no ambiente: há sempre elementos se mexendo a frente ou atrás do personagem, e muitos desenhos ricos e cheios de detalhes. Existe também um jogo de luz e sombra que ressalta sempre esses detalhes, mesmo em ambientes mais escuros.

Visual do jogo mescla o industrial com o orgânico (Foto: Divulgação/Fireshine Games)
Visual do jogo mescla o industrial com o orgânico (Foto: Divulgação/Fireshine Games)

Quem fez os desenhos foi o artista Mr Mead. Suas criações brincam com o animalesco e o grotesco, dando a impressão de que os personagens são cadáveres de bichos com forma humana — algo, no mínimo, perturbador. É possível conferir mais do trabalho dele no Instagram aqui.

É curioso imaginar o que seria aquilo tudo. O que existe nas camadas mais profundas do oceano, onde nem a luz do sol consegue penetrar. Que tipos de criaturas desconhecidas vivem nas águas, e quais objetos foram esquecidos pela civilização, que hoje vive em terra firme?

Visuais do jogo impressionam, mesmo em preto e branco (Foto: Divulgação/Fireshine Games)
Visuais do jogo impressionam, mesmo em preto e branco (Foto: Divulgação/Fireshine Games)

Caso você esteja procurando um game curto (minha campanha durou três horas) e diferente, recomendo que dê uma chance a Silt. O game custa R$ 30 no PC; nos consoles, beira aos R$ 80.

Silt está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X, Xbox Series S, Nintendo Switch e PC.

Fonte: Canaltech

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