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Siderúrgicas lideram perdas na Bolsa em dia de volatilidade nos mercados

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em uma sessão marcada pelo nível elevado de volatilidade nos mercados globais, a Bolsa foi pressionada pela queda das ações de siderúrgicas, após o governo ter anunciado na véspera que deve zerar o imposto de importação de aço.

O índice acionário Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos ao longo de praticamente todo o pregão, para fechar em leve queda de 0,14%, aos 103.109 pontos.

A CSN Mineração liderou as perdas no dia, com queda de 7,16%. Na sequência aparecem os papéis da Usiminas, com desvalorização de 6,78%, e da CSN, que terminaram o dia com recuo de 5,82%. As ações da Gerdau recuaram 4,36%.

No câmbio, o dólar também esteve sob intensa volatilidade durante a sessão, mas devolveu parte da alta recente para terminar o pregão desta terça em queda de 0,42% frente ao real, cotado a R$ 5,1340 para venda.

Com a pressão inflacionária em escala global por conta dos conflitos da Guerra da Ucrânia e da volta das restrições de mobilidade na China, o governo busca formas de tentar diminuir a alta de preços no Brasil.

Com o corte na tarifa de importação, a tendência é de alguma acomodação no preço do aço no mercado local, preveem especialistas.

Caso confirmado, o corte na tarifa é negativo para as siderúrgicas brasileiras, ao prejudicar a capacidade das empresas de estabelecer os parâmetros para os preços do setor no mercado doméstico, apontam os analistas do Bradesco BBI, em relatório.

Eles classificam a medida como "drástica", e dizem terem sido pegos de surpresa com a notícia.

"Mantemos nossa recomendação 'outperform' [desempenho acima da média de mercado] para Gerdau, Usiminas e CSN, com preferência pela Gerdau, mas reconhecemos que o fluxo de notícias é negativo para ações de siderúrgicas no Brasil", assinalam os especialistas.

ATA DO COPOM E INFLAÇÃO NO BRASIL

No Brasil, investidores digeriram a ata da última reunião de política monetária do Banco Central, divulgada nesta terça, em que a autarquia repetiu sinalização anterior de que vai promover alta inferior a 1 ponto percentual nos juros em seu próximo encontro e alertou para riscos econômicos e uma deterioração inflacionária.

Segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) veio em um tom "dovish", mais inclinado a um afrouxamento no ritmo de aperto das condições monetárias.

"Deste modo, reafirmamos que a autoridade deverá elevar a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião de junho e interromper o ciclo de alta", diz o economista.

"Por enquanto, é maioria os que acreditam em 0,5 ponto, a 13,25%. Mas será que para por aí? A guerra segue seu curso, a China se isola cada vez mais em lockdown e as commodities e o 'fantasma da recessão' por aí. Para piorar, um novo choque de petróleo acontece", aponta Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Mirae Asset Wealth Management.

Em um cenário de pressões inflacionárias persistentemente altas, o Credit Suisse elevou seus prognósticos para a inflação brasileira em 2022 e 2023, estimando agora que a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) superará o teto da meta oficial por três anos consecutivos, mesmo com a expectativa de que o Banco Central será forçado a elevar a taxa Selic a 14% até agosto próximo.

Sob o novo cenário, o Credit Suisse vê o IPCA subindo 9,8% neste ano. Há pouco menos de duas semanas, o banco privado estimava alta de 8,3%, taxa que já superava com folga o teto do objetivo perseguido pelo BC, de 5,0%. O centro da meta este ano é de 3,5%, mas há margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Para o ano que vem, a projeção agora é de inflação ao consumidor de 5,1%, o que deixa o prognóstico do credor suíço acima do limite superior da meta para 2023 pela primeira vez. O objetivo para o período é de 3,25%, também com tolerância de 1,5 ponto. Em cenário anterior, o Credit Suisse esperava alta de 4,6% do IPCA no próximo ano.

Caso esse cenário se confirme, o crescimento dos preços ao consumidor no Brasil marcará três anos consecutivos acima da banda de tolerância da meta, depois de o IPCA ter saltado 10,1% em 2021, quando o objetivo central de inflação era de 3,75%.

VENDAS NO VAREJO

Ainda na agenda doméstica, o setor de varejo cresceu mais do que o esperado em março e fechou o primeiro trimestre com ganho de 1,9%, em comparação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apenas em março, as vendas no varejo avançaram 1% na margem, ante estimativa de 0,4% de analistas consultados pela Reuters.

Na esteira dos números divulgados pelo IBGE, papéis relacionados ao setor de consumo e varejo se destacaram entre as maiores altas do pregão —as ações da Natura avançaram 8,73%, as da Petz subiram 7,29% e as da CVC marcaram valorização de 5,69%.

Na contramão, os papéis da Via cederam 2,23%, após a empresa, dona das bandeiras Casas Bahia e Ponto, reportar na noite passada lucro líquido operacional de R$ 86 milhões para o período de janeiro a março, queda de 52% sobre o desempenho de um ano antes, quando o resultado havia sido ajudado por ganhos não recorrentes.

"Apesar da melhora operacional, seguimos neutros em relação aos papéis da Via, por conta do cenário bastante desafiador e competitivo das varejistas, com inflação pressionando margens, e juros mais elevados", dizem os analistas da Guide.

A despeito dos resultados recentes do setor apontados pelo IBGE, especialistas preveem alguma acomodação nos dados de atividade nas próximas divulgações.

"Inflação de dois dígitos, condições financeiras domésticas mais apertadas, confiança fraca do consumidor e das empresas, incerteza política, níveis recordes de endividamento das famílias e condições de crédito cada vez mais exigentes devem gerar ventos contrários para a atividade de varejo nos próximos meses", preveem os analistas do Goldman Sachs, em relatório.

No mercado de commodities, o preço do minério de ferro negociado na China voltou a registrar forte queda, de cerca de 3%, influenciado pelos temores de uma desaceleração brusca da economia chinesa como reflexo das restrições de mobilidade. Nesse sentido, os papéis da Vale fecharam em baixa de 1,24%.

Já a Petrobras, que fechou na véspera em forte queda, viu suas ações marcarem ganhos próximos de 1% —as ordinárias avançaram 1,26%, enquanto as preferenciais subiram 0,87%, na contramão dos preços do petróleo no mercado internacional, que operavam em baixa de 3,5%.

JUROS NOS EUA SEGUEM NO RADAR DO MERCADO

No exterior, as ações das principais Bolsas nos Estados Unidos fecharam sem tendência definida nesta terça-feira (10).

Nos Estados Unidos, o S&P fechou em alta de 0,25% e o Nasdaq avançou 0,98%, enquanto o Dow Jones fechou em baixa de 0,26%.

Preocupações dos investidores globais sobre o risco de uma recessão econômica provocada pela desaceleração da China e pelo aumento dos juros nos Estados Unidos voltaram a impor um tom de maior cautela nos mercados.

Presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) de Nova York, John Williams disse nesta terça que aumentos de 0,50 ponto percentual nas próximas duas reuniões da autoridade monetária, em junho e julho, são "sensatos".

"Acho que, como um cenário básico de pensamento, aumentos de 50 pontos-base fazem sentido exatamente como o chairman [Jerome] Powell [presidente do Fed] expôs", disse Williams.

Ao longo da semana passada, pesou para o humor dos agentes de mercado o receio sobre a necessidade de o BC americano ter de promover um aperto monetário mais agressivo, com altas de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros americana, de modo a conseguir controlar a pressão inflacionária no país.

Já a Tesla, do bilionário Elon Musk, informou a interrupção da maior parte da produção em sua fábrica em Xangai devido a problemas para garantir peças para os veículos elétricos, de acordo com um memorando interno ao qual a Reuters teve acesso.

Duas pessoas familiarizadas com as operações da Tesla disseram anteriormente que a fábrica em Xangai suspendeu a operação na segunda-feira (9), depois de enfrentar dificuldades na aquisição de suprimentos.