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Shows e festivais estão de volta graças à vacina em alta e Covid em queda

·5 min de leitura

Aconteceu no último sábado, no festival Rock Brasil 40 Anos, na Praça da Pira, na Candelária: o Barão Vermelho se apresentava para um público de cerca de mil pessoas quando começou a chover — justo durante uma de suas canções mais populares, “Pro dia nascer feliz”.

— Ninguém arredou pé dali. A chuva deu uma woodstockizada, o público estava sedento de música, queria celebrar — conta Rodrigo Suricato, vocalista do Barão Vermelho, que com essa apresentação (sua primeira em 2021) iniciou uma turnê dos 40 anos de história da banda, que segue pelos próximos meses.

Sim, com o aumento da vacinação e a flexibilização das restrições sanitárias, os shows estão voltando. Amanhã, o Circo Voador reabre em uma noite animada por Marcelo D2 (que repete a dose na sexta e no sábado). Em 2 de dezembro, Dia Nacional do Samba, a Fundição Progresso retoma suas atividades com roda do Samba Independente dos Bons Costumes. E casas como Vivo Rio, Teatro Rival, Teatro Claro, Imperator, Blue Note (SP), Tom Brasil (SP), Sesc SP e Studio SP já funcionam com shows presenciais.

Enquanto isso, os festivais de música esquentam suas turbinas. Em alguns dias, o Lollapalooza (que acontece em março, em São Paulo) anuncia suas atrações, enquanto outros como o Rio das Ostras Jazz Festival (novembro), REP Festival (fevereiro), Queremos! Festival (maio), Rock in Rio e Coala Festival (ambos em setembro) já têm boa parte ou toda a programação anunciada.

— Não é para ter medo, é para cumprir os protocolos — alerta Maria Juçá, administradora do Circo Voador.

Com a portaria da prefeitura carioca, que na segunda-feira liberou 100% de lotação para os shows, Juçá pôs ontem mais 300 ingressos à venda para cada noite de D2 (e não mil, que encheriam a casa):

— Há que se ter cautela, estamos treinando a equipe para ver como será daqui pra frente.

Já Peck Mecenas, organizador do Rock Brasil 40 anos, espera agora que as condições climáticas ajudem a encher mais a Praça da Pira neste sábado, para apresentações da Plebe Rude e do Camisa de Vênus.

— No primeiro fim de semana de shows, a prefeitura ainda estipulava que exigíssemos o teste de Covid do público. Neste último, com um novo decreto, a gente pôde trabalhar também com o cartão de vacinação, e os shows ficaram mais cheios — diz.

‘Vivemos de juntar gente’

Diretor de programação da Fundição Progresso, Uirá Fortuna conta que a casa resolveu marcar para dezembro a volta dos shows à sua arena “acreditando que os números da Covid estarão menores ainda”.

— A Fundição sempre foi um local com perfil de aglomeração. Vivemos de juntar gente. Há um monte de artistas querendo fazer show, mas temos que deixar nosso público tranquilo — argumenta ele, que já fechou apresentações do Planet Hemp nos dias 10 e 11 de dezembro e uma de Teresa Cristina em 9 de janeiro.

Casa que completa 15 anos mês que vem, o Vivo Rio se prepara para seu primeiro espetáculo com 100% de público: a festa de aniversário da rádio JB FM, dia 27, com a Petrobras Sinfônica, Nando Reis e Samuel Rosa.

— A gente está com 40 shows pautados até o meio do ano que vem. Depois de tanta dívida acumulada, a casa precisa se recuperar — conta a diretora artística do Vivo Rio, Bianca Labruna, para quem o uso das máscaras deve “seguir por um tempo”.

Sem sede ao pote

Em São Paulo, o Blue Note voltou a funcionar em 1º de outubro, com show do bandolinista Hamilton de Holanda, e está com programação fechada até janeiro. Dentre os protocolos de segurança adotados, estão a redução na capacidade (229 lugares dos 336) e as exigências do cartão de vacinação em dia e do uso de máscaras.

— Temos percebido que o público estava com uma boa ansiedade de ver os artistas presencialmente. Assim como os artistas também estavam ansiosos para voltar — diz o empresário Flávio Pinheiro, sócio do Blue Note. — Esses novos protocolos viraram mais um checklist dos produtores. Muitas dessas medidas vão perdurar.

Para o epidemiologista Paulo Petry, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vivemos um momento “cada vez melhor”, por causa do avanço da vacinação. Mas ele salienta que a “pandemia não terminou”.

— Ainda existe contágio, novos casos, internações e mortes. É um cenário positivo, se encaminhando para o final de pandemia, mas exige cautela — diz ele, para quem a liberação da prefeitura do Rio de 100% da capacidade de teatros, casas de shows, museus e locais de eventos passa a falsa impressão de fim da doença. — Acho interessante alguma flexibilização, mas tenho um pouco de medo se formos com sede ao pote. Mesmo com a exigência de máscara, ela acaba sendo retirada para o consumo de comida e bebida.

Nos EUA, onde o início da vacinação avançou mais rápido do que no Brasil, as cenas de grandes shows têm sido mais constantes. No começo do mês, a estrela pop Billie Eilish lavou a alma do público no festival Austin City Limits. E o saxofonista Kamasi Washington, atração do Queremos! Festival, terminou seu jejum de palcos em julho, no Hollywood Bowl, em Los Angeles.

— Aquele é um lugar mágico, tem toda uma energia que você sente lá. Depois de tanto tempo sem fazer shows, foi a melhor forma de recomeçar. Havia entre o público uma sede por música, pela presença humana — conta Kamasi.

Diretora de marketing e da área de festivais da Time For Fun (empresa que produz o Lollapalooza no Brasil), Francesca Brown Alterio vem acompanhando a retomada no exterior “para entender como aplicar isso à nossa realidade”:

— O modo de fazer um evento ao vivo passa por um momento de adaptação. Tem todo um mercado estudando e aprimorando a maneira de fazer um festival de forma segura e, sem dúvida, nosso grau de entrega em relação a isso será alto — promete.

Sócio-fundador do Coala Festival, Gabriel Andrade conta que o exterior já testou toda uma nova gama de protocolos. Porém...

— Parece-me que no Brasil a retomada vai ser mais controlada, por isso decidimos adiar o Coala para setembro de 2022 e não para o primeiro semestre.

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