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Sexo, religião e Rede Globo: 10 filmes que foram censurados no Brasil

Rafael Monteiro
·4 minutos de leitura
Laranja Mecânica, Eu Vos Saúdo Maria e O Grande Ditador: todos eles foram censurados pelo governo brasileiro (reprodução)
Laranja Mecânica, Eu Vos Saúdo Maria e O Grande Ditador: todos eles foram censurados pelo governo brasileiro (reprodução)

De acordo com o dicionário Michaellis, "censura" significa "o exame de trabalhos artísticos ou de material de caráter informativo, a fim de filtrar e proibir o que é inconveniente, do ponto de vista ideológico ou moral". Levando em conta o significado da palavra, é possível dizer que o ato é bastante comum na história do cinema no Brasil.

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Abaixo, relembramos 10 filmes que incomodaram particularmente o governo brasileiro e, quando não foram simplesmente proibidos em território nacional, acabaram sofrendo graves alterações em suas alterações para terem o direito de exibição. Dados os exemplos, fica claro que não estamos a salvo de novas proibições.

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Laranja Mecânica

Os fãs brasileiros de Stanley Kubrick não tiveram a oportunidade de ver o clássico nos cinemas no ano do seu lançamento. Censurado devido às cenas de violência e de sexo, o longa acabou chegando às salas brasileiras apenas em 1978, sete anos após o previsto, e ainda com um detalhe que incomodou os cinéfilos: bolinhas pretas cobriram os órgãos sexuais dos atores.

Muito além do Cidadão Kane

Produzido pela Channel Four, televisão estatal do Reino Unido, o documentário causou polêmica no início dos anos 1990 ao mostrar o suposto envolvimento da Rede Globo com a ditadura militar no Brasil. A obra incomodou particularmente Roberto Marinho, que ganhou conseguiu a impedir a exibição legal do filme no Brasil. Apesar do cerco montado contra "Muito Além do Cidadão Kane", o trabalho pode ser conferido na íntegra no Youtube.

A Serbian Film

Acusado de incitar pedofilia, "Serbian Film - Terror sem limites" foi suspenso no Brasil em 2011 pelo Ministério da Justiça. Em uma cena da obra, que também teve foi censurada em países da Europa, o protagonista Milos (Srdjan Todorovic) estupra a mulher e o filho dele. Quase um ano após o seu lançamento oficial, a obra conseguiu liberação para ser exibida no país.

Eu Vos Saúdo Maria

Lançado em 1985, o filme de Jean-Luc Godard foi abertamente censurada no Brasil. Na época, o presidente José Sarney considerou o enredo da obra (que mostra Maria, mãe de Jesus, retratada no século XX) uma afronta à fé cristã e conseguiu impedir a sua exibição nas salas do cinema. A ação do governo gerou protestos de artistas e até uma menção na música “Eduardo e Mônica”, do Legião Urbana (este era o tal "filme do Godard").

Rio, 40 Graus

Mostrando a história de cinco garotas do subúrbio carioca que ganham a vida vendendo amendoim, a obra de Nelson Pereira dos Santos, um dos marcos do Cinema Novo, foi censurada em 1955 por mostrar lados negativos do Brasil e fazer propaganda comunista. Tentando justificar o veto, o governo brasileiro ainda alegou, bizarramente, que o filme mentia em seu título - já que o Rio de Janeiro não costumava atingir 40 graus de temperatura com frequência.

O Grande Ditador

O clássico de Charles Chaplin, lançado em 1940, foi censurado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), do governo Getúlio Vargas. A sátira contra o nazismo e fascismo esbarrou no regime ditatorial brasileiro por supostamente ser "comunista" e desrespeitar as Forças Armadas.

Macunaíma

A versão cinematográfica do clássico literário de Mário de Andrade esbarrou na censura em 1969. A versão que foi aos cinemas na época teve 15 cenas cortadas, que iam desde palavrões até uma frase considerada imprópria pelo regime militar: “muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são”.

Cabra Marcado Para Morrer

Lançada em 1984, a obra-prima de Eduardo Coutinho demorou 20 anos para ser concluída. Isso aconteceu porque a história da vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962, foi censurada pelo governo militar - que chegou até a prender membros da equipe da obra pela acusação de "comunismo".

Terra em Transe

O clássico de Glauber Rocha foi barrado em 1967 por ser considerado subversivo e praticamente ofensivo à igreja católica. Após alguns meses, o longa acabou sendo liberado quando foi compreendido como uma "sátira às esquerdas", mas sob uma condição: o sacerdote interpretado por Jofre Soares precisava ganhar um nome - assim, ele passou a ser chamado na obra de Padre Gil.

À Meia-noite Levarei Sua Alma

José Mojica Marins sofreu com a censura em diversos momentos da sua carreira. Com o seu filme mais célebre, o popular "Zé do Caixão", acabou sendo banido de alguns estados supostamente pelas cenas violentas vistas no longa, mas certamente alguns diálogos também pesaram contra a obra. “Crer em quê? Num símbolo? Numa força inexistente criada pela ignorância?”, diz o protagonista em determinado momento.

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