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Setor de serviços tem queda histórica de 11,7% em abril, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas

O resultado reflete os impactos das medidas de isolamento social sobre a atividade O volume de serviços prestados no país recuou 11,7% em abril, na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2011, refletindo os impactos das medidas de isolamento social sobre a atividade.

O volume de serviços já havia sido impactado em março, quando recuou 7% frente a fevereiro — dado revisado de baixa de 6,9% anteriormente divulgada.

Em relação a abril de 2019, o setor apresentou queda de 17,2%. E, com o resultado, passou a acumular baixa 4,5% no ano e redução de 0,6% em 12 meses.

Receita

Já a receita nominal de serviços — que não desconta a inflação do mês — cedeu 12,9% em abril, frente a março, com ajuste sazonal. Frente a abril do ano passado, o indicador caiu 16,9%. Assim, acumula queda de 2,7% no ano e alta de 2,3% em 12 meses.

Todos os cinco grandes grupos de atuação do setor acompanhados pelo IBGE registraram queda recorde de receita real em abril, ante março. As que mais influenciaram os resultados foram transportes (-17,8%) e serviços prestados às famílias (-44,1%). Também recuaram as atividades de serviços profissionais (-8,6%), informação e comunicação (-3,6%) e outros serviços (-7,4%), este último que inclui corretoras e bolsa de valores.

Conforme o levantamento do IBGE, a queda na receita real dos serviços prestados às famílias, de 44,1% de março para abril, foi o pior resultado da série histórica.

O pior desempenho foi nos segmentos de alojamento e alimentação, com baixa de 46,5% na receita real em abril. O grupo chamado “outros serviços às famílias” — que inclui academia de ginástica, curso de idiomas, salão de beleza, entre outros — recuou 33,3% no mês.

Em março, o serviços às famílias já haviam sofrido uma queda de 31,2%, com a quarentena iniciada em meados do mês. Em dois meses de pandemia, a atividade acumula baixa de 61,6%.

“A redução do fluxo de pessoas pelas cidades e os decretos de fechamento de serviços a partir dos últimos 10 dias do mês de março provocaram queda brusca na receita do setor”, explicou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Perante abril de 2019, os serviços prestados às famílias recuaram 68%. Todos os 23 segmentos de serviços prestados às famílias acompanhados pelo IBGE tiveram queda da receita por essa base de comparação.

Por região, a receita real do setor de serviços recuou em 26 das 27 unidades da federação em abril, na comparação a março. O único resultado positivo no mês foi do setor de serviços do Mato Grosso, com alta de 9%. O desempenho foi puxado por uma atividade específica: o transporte ferroviário de carga. A receita do modal cresceu na região com o maior embarque de soja.

São Paulo (-11,6%) e Rio de Janeiro (-12,7%) foram os destaques negativos, levando em conta a influência exercida no resultado nacional. As quedas foram puxadas pelos segmentos de alojamento e alimentação. Outras perdas relevantes aconteceram em Minas Gerais (-11%), no Rio Grande do Sul (-15,2%), na Bahia (-21,0%) e no Paraná (-11,1%), informou o IBGE.

Para Rodrigo Lobo, a receita real do setor de serviços pode ter registrado queda mais moderada ou mesmo taxa positiva em maio. Ele citou o crescimento no índice de confiança do setor de serviços da Fundação Getulio Vargas (FGV) e no fluxo de movimento de veículos da associação de rodovias como exemplos de indicadores que mostram que maio pode ter tido perdas menos intensas ou mesmo taxa positiva.

“A confiança de serviços da FGV mostra algum tipo de recuperação em maio, com crescimento de 9%. O fluxo de veículos avançou 22,1% em maio e tem aderência com os resultados do setor da PMS”, disse o técnico do IBGE. “É provável que não tenhamos, portanto, novos recordes de queda da receita em maio.”

Emilio Morenatti/AP