Mercado abrirá em 5 h 49 min

Setor de serviços cresce 1,3% com reabertura e estímulos de FGTS e INSS

*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 28.02.2022 -  Movimentação nas praias de Ipanema e Leblon, no Rio; serviços como os de turismo foram estimulados pela vacinação contra a Covid-19. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 28.02.2022 - Movimentação nas praias de Ipanema e Leblon, no Rio; serviços como os de turismo foram estimulados pela vacinação contra a Covid-19. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ - SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O setor de serviços cresceu 1,3% no Brasil no segundo trimestre de 2022, frente aos três meses imediatamente anteriores, informou nesta quinta-feira (1º) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado é reflexo de fatores como a continuidade na retomada dos serviços presenciais, melhora no mercado de trabalho, medidas de estímulo (FGTS e antecipação do INSS) e crescimento do crédito, segundo o IBGE. Por outro lado, a alta da inflação no período e o aumento dos juros jogaram no sentido contrário.

Os serviços formam o principal setor do PIB (Produto Interno Bruto) pela ótica da oferta, com peso de cerca de 70%. No segundo trimestre deste ano, o PIB do Brasil cresceu 1,2% no em relação ao trimestre anterior.

O ramo responde por cerca de 70% do indicador e engloba uma grande variedade de empresas. Vai de pequenos comércios, bares e restaurantes a instituições financeiras e de ensino. Também é o principal empregador no país.

Dentro dos serviços, outras atividades de serviços (3,3%), transportes (3,0%) e informação e comunicação (2,9%) avançaram e puxaram essa alta. Em outras atividades de serviços, estão os serviços presenciais, que estavam represados durante a pandemia, como os restaurantes e hotéis, por exemplo, afirma a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Com o resultado, o segmento outras atividades de serviços, segmento que sofreu com as restrições de circulação em 2020 e 2021, está 4,4% acima do patamar pré-pandemia.

Com a pandemia, a prestação de serviços amargou um duro golpe a partir de 2020, já que reúne atividades que dependem da circulação de consumidores. O cenário começou a mudar com a vacinação contra a Covid-19, que permitiu a derrubada de restrições ao fluxo de pessoas.

Além da demanda reprimida, medidas de estímulo adotadas pelo governo federal às vésperas das eleições também respingaram no setor de serviços, conforme analistas.

Liberação de saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e antecipação do 13º de aposentados estão entre as ações registradas no segundo trimestre que ajudaram a puxar o crescimento do PIB no período.

A recuperação de serviços, contudo, encontra ameaças no cenário dos próximos meses. A inflação ainda afeta os preços do setor, e os juros mais altos jogam contra o consumo.

INDÚSTRIA

Na indústria, a alta de 2,2% foi o segundo resultado positivo consecutivo do setor, após a queda de 0,9% no quatro trimestre do ano passado, segundo o IBGE.

O instituto destaca os desempenhos positivos de 3,1% na atividade de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos. Também ficaram acima da variação do PIB os crescimentos de 2,7% na construção, de 2,2% nas indústrias extrativas e de 1,7% nas indústrias de transformação.

Parte das fábricas ainda enfrenta escassez de insumos, um quadro influenciado pelo desajuste das cadeias produtivas na pandemia. A alta dos preços de matérias-primas também desafia o segmento industrial.

AGROPECUÁRIA

A agropecuária, terceiro dos grandes setores do PIB pela ótica da oferta, que havia recuado 0,9% no último trimestre, variou 0,5% no segundo trimestre deste ano.

Preços de commodities agrícolas subiram no mercado internacional após o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro. No entanto, as cotações deram sinais de trégua nos últimos meses, em meio a projeções de desaceleração da economia global.

A agropecuária também foi afetada neste ano pela seca em regiões produtoras como o Sul. Apesar dos efeitos climáticos negativos, a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar o recorde de 263,4 milhões de toneladas em 2022, conforme estimativa de julho do IBGE.