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Setor de serviços do Brasil cresce em abril, mas inicia 2º tri com ritmo abaixo do esperado

Garçom trabalha em restaurante no Rio de Janeiro

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O volume de serviços no Brasil registrou crescimento pelo segundo mês seguido em abril, beneficiando-se da reabertura econômica, mas iniciou o segundo trimestre em ritmo abaixo do esperado.

O volume de serviços aumentou 0,2% em relação a março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. O resultado ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters, de ganho de 0,4%.

O IBGE ainda revisou para baixo o dado de março, para aumento de 1,4%, de 1,7% informado anteriormente. A leitura de fevereiro ainda passou para queda de 0,1%, depois de o IBGE ter inicialmente informado alta de 0,4%.

Na comparação entre abril de 2022 e o mesmo mês do ano passado, foi registrado ganho de 9,4%, ante expectativa de avanço de 10,4%.

Com esses resultados, o setor está 7,2% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, segundo o IBGE.

"Temos uma trajetória descendente para o setor de serviços em 12 meses. Abril marca uma redução, e o ritmo em maio vai mostrar como será essa trajetória", afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Depois de ser fortemente abalado pelas restrições para combate à Covid-19, o setor de serviços vem se recuperando diante da reabertura econômica.

No entanto, o cenário no país é de forte pressão inflacionária que corrói o poder de compra, o que tende a afetar principalmente os serviços prestados à família.

No mês de abril, apenas duas das cinco atividades pesquisadas tiveram ganhos. A de informação e comunicação teve avanço de 0,7%, com destaque para tecnologia da informação, que atingiu o ponto mais alto da série histórica.

"Durante o auge do isolamento por conta da pandemia, houve uma alta demanda desses serviços, e esse movimento perdura até os dias atuais", explicou Lobo.

Já os serviços prestados às famílias cresceram 1,9% em abril, com a maior influência vindo dos serviços de alojamento e alimentação, dando continuidade ao processo de retomada dos serviços de caráter presencial, principalmente bares e restaurantes, segundo Lobo.

Por outro lado, resultados negativos foram registrados em transportes (-1,7%); serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%); e outros serviços (-1,6%).

No entanto, o transporte de passageiros cresceu 2,3% no mês e superou pela primeira vez o patamar pré-pandemia, ficando 0,1% acima do nível de fevereiro de 2020.

"(Ratifica), assim, a maior mobilidade da população, refletida no aumento das receitas das empresas que operam os transportes de passageiros nos seus diversos modais: aéreo, rodoviário e metroferroviário", disse Lobo.

O índice de atividades turísticas, por sua vez, cresceu 2,5% em abril sobre março, mas ainda está 3,4% abaixo do patamar de fevereiro de 2020.

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