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Setor manufatureiro dos EUA desacelera, gastos com construção têm máxima recorde

Por Lucia Mutikani

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A atividade manufatureira nos Estados Unidos desacelerou em fevereiro com a contração de novos pedidos, refletindo preocupações quanto às interrupções na cadeia de suprimentos relacionadas ao rápido surto de coronavírus, que reavivou os temores de recessão no mercado financeiro.

Enquanto outros dados nesta segunda-feira mostraram que os gastos com construção tiveram o maior aumento em quase dois anos, atingindo máxima recorde em janeiro, as notícias otimistas devem ser ofuscadas pela epidemia de coronavírus.

O Instituto para Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) disse que seu índice de atividade fabril dos EUA caiu para 50,1 no mês passado, ante 50,9 em janeiro. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice cairia para 50,5 em fevereiro.

Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor manufatureiro, responsável por 11% da economia norte-americana. O índice ISM ultrapassou o limite de 50 em janeiro pela primeira vez em cinco meses, com as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China diminuindo após a assinatura de um acordo comercial parcial naquele mês.

Mas a epidemia de coronavírus, que matou pelo menos 3 mil pessoas e infectou mais de 80 mil, a maioria delas na China, é uma nova ameaça para as fábricas. Dados e algumas pesquisas regionais de fábricas do Federal Reserve sugeriram alguma estabilização na manufatura depois de uma queda no ano passado.

O ISM disse que "declarações dos entrevistados foram em geral positivas, com sentimento de cautela em comparação com janeiro", mas também destacou que "as cadeias globais de oferta estão impactando a maior parte, se não todos, dos setores industriais".

Cerca de seis indústrias, incluindo computadores e eletrônicos, produtores e metais e químicos, divulgaram que o surto de coronavírus está impactando seus negócios.

Os mercados financeiros estão preocupados que o coronavírus possa atrapalhar a mais longa expansão econômica norte-americana já registrada, agora em seu 11º ano.

Um relatório separado do IHS Markit nesta segunda-feira mostrou que seu Índice final de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) nos EUA caiu para 50,7 em fevereiro, ante 51,9 em janeiro.


RESULTADOS FORTES NA CONSTRUÇÃO

Um terceiro relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Departamento de Comércio mostrou que os gastos com construção em janeiro subiram 1,8%, para um recorde de 1,369 trilhão de dólares, à medida que aumentaram os investimentos em projetos públicos e privados. Os dados de dezembro foram revisados para mostrar que os gastos com construção aumentaram 0,2% em vez de diminuir 0,2%, conforme relatado anteriormente.

Economistas esperavam que os gastos com construção aumentariam 0,6% em janeiro.


(Reportagem de Lucia Mutikani)