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Setor financeiro de Londres tem longa espera para acesso à UE

Alexander Weber e Silla Brush
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A União Europeia não tem pressa em reabrir as portas para o setor financeiro britânico, o que mina as esperanças de que o acordo comercial do Brexit possa desbloquear o acesso aos mercados para bancos e outras empresas financeiras.

Autoridades do bloco de 27 países destacaram na segunda-feira que a UE não vai acelerar a avaliação dos planos do Reino Unido para regulamentar o setor financeiro e ressaltaram que conceder acesso aos mercados continua sendo uma decisão unilateral que não está aberta a negociações.

O setor foi excluído do acordo de livre comércio firmado no ano passado. As relações agora dependem de um processo conhecido como equivalência, em que cada lado concede o acesso aos mercados se as regras do outro forem consideradas rígidas o suficiente. Até que isso seja resolvido, as empresas do Reino Unido terão que contar com bases em Frankfurt, Paris e outras cidades da UE para continuar a fazer negócios com clientes da região.

“A equivalência requer um certo grau de alinhamento. Mas esse grau de alinhamento precisa ser discutido e acordado área por área”, disse Almoro Rubin de Cervin, responsável por relações internacionais do departamento de serviços financeiros da Comissão Europeia, em discurso a uma comissão do Parlamento Europeu na segunda-feira. “A equivalência como processo vai demorar um pouco.”

Embora o Reino Unido tenha começado a vida fora do bloco em 1º de janeiro com regras quase idênticas, autoridades contemplam mudanças em várias áreas. O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, disse que o Reino Unido não deve ser vinculado às normas da UE como preço para obter acesso aos mercados.

Como primeiro passo, Reino Unido e UE trabalham nas regras básicas para a cooperação em serviços financeiros até março. Mas autoridades em Londres não devem confundir isso com uma negociação sobre acesso aos mercados, alertou Rubin de Cervin, acrescentando que o planejado memorando de entendimento não restringirá a UE em sua tomada de decisões.

Se a distância entre os dois lados não for significativa, o prazo para chegar a um acordo é “definitivamente alcançável”, segundo Rubin de Cervin. “Mas, se o Reino Unido chegasse à mesa do memorando de entendimento com demandas excessivas, por exemplo, em termos de restrições à tomada de decisão, demoraria mais.”

Desde que o Reino Unido votou pela saída, a UE tem adotado uma linha dura em relação aos serviços financeiros, desconsiderando várias propostas sobre como melhorar a cooperação além de sua estrutura padrão para lidar com empresas fora do bloco.

O Reino Unido perdeu cerca de 6 bilhões de euros em negociações diárias de ações no primeiro dia útil após o período de transição do Brexit, o que aumentou os apelos para a flexibilização das regras e ajuda para que a City of London consiga vantagem competitiva sobre os rivais europeus. Uma dessas medidas ocorreu quando o Tesouro do Reino Unido disse que planeja permitir a negociação em ações suíças, revertendo a proibição da UE sobre a atividade.

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