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Setor financeiro brasileiro não é ‘cartelizado’, diz presidente do BB

Lu Aiko Otta

Em comissão sobre as medidas de enfrentamento à pandemia, Rubem Novaes informou que o governo avalia afrouxar as regras para a linha voltada à folha de pagamentos O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou nesta segunda-feira que o setor financeiro brasileiro não é “cartelizado”. Pelo contrário, é um setor da economia brasileira com grande grau de competição, onde há cinco grandes players e dezenas de instituições de pequenas e médias, o que estabelece uma competição “feroz”.

Ele respondia a questionamentos sobre a falta de concessão de crédito, na comissão mista do Congresso que acompanha as medidas do governo no enfrentamento à pandemia.

Aos parlamentares, Novaes informou que o governo estuda ampliar a faixa de empresas que poderão tomar empréstimo para pagar a folha salarial. Hoje, a linha disponível atende a empresas com receita bruta anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões.

Essa linha de crédito, conhecida pelas siglas Fopag e Pese, não teve a demanda esperada e passa por ajustes, disse o presidente. A tarefa está a cargo do Banco Central.

A ampliação do grupo a ser atendido é um possível ajuste, disse Novaes. Outra é a remoção da cláusula que proíbe a empresa tomadora do crédito de demitir. Por causa dessa regra, disse ele, as empresas preferiram não tomar os empréstimos, pois, comentou, não sabem por quanto tempo governadores e prefeitos manterão os negócios fechados.

Novaes evitou tecer comentários sobre o uso das reservas internacionais no combate à pandemia. Ele comentou que, como economista, acompanha há tempos o antigo debate se as reservas deveriam ser administradas pelo Tesouro ou pelo Banco Central. Disse também que observadores mais sofisticados analisam a evolução da dívida líquida, que considera a dívida mas também os ativos.

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, admitiu que o governo avalia mudanças na linha para a folha salarial

Fotos: Claudio Belli/Valor