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Setor de imóveis mira digitalização contra crise

Colaboradores Yahoo Finanças
·5 minuto de leitura
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

O processo é sempre parecido: a pessoa pesquisa imóveis que lhe interessam, faz recorrentes visitas ao local, conversa com o corretor. Até que o negócio é fechado, as partes apertam as mãos e o novo morador sai com as chaves no bolso. A compra e aluguel de imóveis é uma negociação tradicional, mas que sofreu um abalo com a pandemia do novo coronavírus.

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“Na grande maioria dos casos, a compra de um imóvel depende de muita fisicalidade”, afirma Luís Gama Tinhorão, dono de imobiliárias e especialista no setor. “É natural que as pessoas queiram olhar cada canto do imóvel, tocar a parede. No caso de prédios em construção, visitar o decorado, papear com o corretor. Com a covid-19, isso é impossível”.

Digitalização

Dessa forma, o mercado começou a mirar na digitalização como uma saída dessa crise. É a maneira que construtoras, imobiliárias e corretores encontraram pra não interromper totalmente os seus serviços e, ainda assim, possibilitar que futuros compradores conheçam os imóveis desejados. Afinal, ainda que preocupante, o cenário não é de desolação total.

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De acordo com pesquisa da Brain Inteligência Corporativa, 45% das pessoas que tinham intenção de visitar casas ou apartamentos no período que antecedeu a chegada do coronavírus ao Brasil desistiram momentaneamente de comprar ou alugar imóveis. A maioria dos entrevistados, 55%, ainda assim, deseja firmar acordos imobiliários.

Além disso, o Sindicato de Corretores Imobiliários informou que, mesmo durante a quarentena, o movimento nos chamados "plantões virtuais" de venda de imóveis foi de 50% comparado com o movimento convencional. A expectativa, com a epidemia, era menor.

Para abraçar essa transformação, o mercado está se voltando para startups que já estão imersas nesse universo. É o caso da Apto, plataforma que se propõe a ser um “marketplace de imóveis novos”. A empresa já espera uma queda na aceleração que o setor vinha tomando nos últimos meses. Por isso, acredita que decisões digitais irão ajudar o setor.

“É interessante valorizar os sistemas de conversa online ou oferecer visita virtual”, diz Alex Frachetta, CEO da Apto. “Vídeo profissionais e giro 360° nos imóveis são soluções conhecidas e que devem ser incentivadas. Negociações, envio de documentação e a assinatura de contrato online também pode ser uma resposta positiva ao cenário atual”.

A startup RuaDois segue esse caminho, levando o novo universo digital para o setor tradicional, com foco em locação. A empresa promete que, em quatro dias, a imobiliária passe a ter uma operação 100% digital com serviços como visita virtual, contrato online e até análise de crédito na plataforma. A ideia é que tudo possa ser feito sem sair de casa.

Paulo Fernandes, CEO e fundador da RuaDois (Foto: Divulgação)
Paulo Fernandes, CEO e fundador da RuaDois (Foto: Divulgação)

“Nossas soluções possibilitam digitalizar a jornada completa”, diz Paulo Fernandes, fundador e CEO da RuaDois. “Focamos em dois pontos: proteger as pessoas e minimizar os impactos econômicos da crise. Tomamos medidas para dar segurança no contato físico e temos ajudado imobiliárias de todos os tamanho e do Brasil inteiro a continuar funcionando”.

Imobiliárias digitais

No meio dessa movimentação, algumas imobiliárias e plataformas de imóveis caminham em uma direção ainda mais digital. A startup QuintoAndar, por exemplo, sempre possibilitou a visita por meio de vídeo. Agora, com a epidemia, a empresa tem destacado a importância dessa prática, pedindo para que corretores e clientes a usem de maneira recorrente.

Além disso, a QuintoAndar suspendeu visitas em grupo e fechou uma parceria com a rede médica Dr. Consulta para que corretores possam fazer atendimentos gratuitos por vídeo.

“Essas primeiras medidas e recomendações ajudam parceiros e clientes a se manterem seguros, e estamos prontos para responder prontamente com novas ações de apoio caso sejam necessárias”, afirmou Gabriel Braga, diretor executivo do QuintoAndar, por meio de uma nota. “A gente, como você, está se adaptando e aprendendo a lidar com a situação”.

Já a APSA, uma das mais tradicionais do setor, está investindo forte na plataforma Alugue Rápido. A ideia é que tudo possa ser feito online, com a pessoa dentro de sua residência.

“O inquilino entra no nosso site, escolhe um imóvel e agenda a visita, que pode ser virtual. Se esse inquilino gostar, faz toda a documentação digital. Sai com o contrato assinado no celular dele. Tudo na hora”, explica Fernando Schneider, diretor da APSA. “Só precisamos entregar as chaves. Se a fechadura digital não fosse tão cara, nem isso era preciso”.

Mudança para ficar

Agora, com essa necessidade de levar a digitalização para um novo patamar, a expectativa de especialistas do mercado imobiliário é de que essa transformação permaneça. Afinal, uma vez que os principais envolvidos no processo de compra e aluguel de imóveis aprenderam e entenderam os benefícios de plataformas digitais, não devem parar mais.

“Pode-se dizer que o mercado imobiliário, de forma geral, tem consciência da importância da transformação digital, só bastava saber quando e como”, afirma Fernandes, da RuaDois. “Com a crise que estamos vivendo, essa necessidade se tornou imediata porque as soluções tecnológicas têm sido determinantes para manter os negócios funcionando”.

Da parte do consumidor, enquanto isso, é uma transformação mais profunda. Afinal, não é simples escolher um imóvel apenas vendo vídeos, fotos e imersões em 360º. No entanto, Schneider, da APSA e da Alugue Rápido, acha que essa mudança de comportamento já está acontecendo. Na atual o crise, o consumidor deve entender os benefícios do digital.

“Se essa crise durar dois anos, ninguém mais vai comprar imóvel? Ninguém mais vai mudar de casa?”, questiona. “A ficha está caindo para os consumidores. Ainda faz parte da cultura ir até o imóvel, ver tudo de perto. Mas acredito que com essa crise, as pessoas vão entender a facilidade do digital. Não precisa tirar um dia para visitas. É só dar um clique”.

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