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Setor de carne bovina dos EUA tenta ‘limpar’ imagem de poluidor

Lydia Mulvany e Isis Almeida

(Bloomberg) -- Diante da mania por hambúrgueres veganos que domina os Estados Unidos, o setor de carne bovina tenta reverter a imagem de uma máquina emissora de gases de efeito estufa.

Com grandes varejistas e investidores pressionando empresas a reduzirem a pegada de carbono, gigantes como Tyson Foods e Cargill prometem cortes ambiciosos das emissões, inclusive nas cadeias de suprimentos. Diretores de sustentabilidade surgem entre executivos do alto escalão do setor de carnes, e anúncios nas redes sociais divulgam que os benefícios da carne bovina à saúde são mal interpretados.

É uma batalha difícil. Há mais de uma década, diversos estudos têm recomendado a redução do consumo de carne por razões ambientais e de saúde. Segundo alguns parâmetros, a agricultura responde por mais emissões globais de gases de efeito estufa do que o transporte, em parte devido à produção pecuária.

Enquanto isso, alternativas vegetais são a tendência do momento, já que mais americanos se autodenominam flexitarianos - pessoas que substituem regularmente a carne por outros alimentos. Empresas como Beyond Meat, cujos preços das ações mais que triplicaram desde a oferta pública inicial, se beneficiam da onda contra a carne, destacando as virtudes dos produtos veganos que aparecem nos cardápios de redes nacionais, como a TGI Fridays.

Ainda assim, o consumo de carne bovina é forte na América do Norte e, no geral, o consumo de carne está aumentando globalmente. Mas o receio em relação aos efeitos do consumo de carne bovina aumenta na mesma velocidade que as ofertas veganas e ascensão do mercado multibilionário de ativos verdes e sustentáveis. Deborah Perkins, chefe global de alimentos e agronegócio do ING Wholesale Banking, diz que o setor precisar continuar trabalhando para reduzir sua pegada.

Muitos dos problemas ambientais se resumem ao modo como os animais processam os alimentos. O gado emite metano, um gás de efeito estufa particularmente potente, como parte de seus processos digestivos. Simplificando, os gases e o estrume de vaca são os grandes culpados.

Mas o setor aponta para novos números que comparam a produção americana dos EUA com o resto do mundo. Um estudo recente do governo financiado pelo setor identificou que a pegada da carne bovina dos EUA responde por cerca de 3% dos gases de efeito estufa produzidos pela atividade humana, uma parcela muito inferior em comparação com o número global de 14,5% frequentemente citado.

“Devemos aceitar esse 3% e reduzi-lo, porque 3% ainda é importante”, disse Kim Stackhouse-Lawson, diretora de sustentabilidade da JBS EUA, controlada pela JBS, maior produtora mundial de carne bovina.

As unidades de negócios da JBS nos EUA e no Canadá estabeleceram uma meta para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 20% até 2020 a partir do nível de 2015.

A tecnologia pode ajudar. O gado dos EUA mudou nas últimas décadas por meio da criação e novas fórmulas de ração. Agora pecuaristas são capazes de produzir a mesma quantidade de carne bovina que produziam em 1975, com 36% menos animais, de acordo com Sara Place, diretora sênior de produção sustentável de carne bovina da Associação Nacional de Produtores de Carne Bovina dos EUA.

--Com a colaboração de Andrew Martin e James Attwood.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Lydia Mulvany Chicago, lmulvany2@bloomberg.net;Isis Almeida em Londres, ialmeida3@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: James Attwood, jattwood3@bloomberg.net, Millie Munshi, Patrick McKiernan

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