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Setor bancário já emprestou mais de R$ 1 trilhão desde início da pandemia

Flávia Furlan

Os bancos brasileiros ainda planejam a liberação de mais crédito e a realização de mais prorrogação de contratos Os bancos brasileiros planejam a liberação de mais crédito e a realização de mais prorrogação de contratos, em meio aos desdobramentos da crise de covid-19 para a economia brasileira, segundo disseram os presidentes das principais instituições financeiras do país durante o Ciab, evento de tecnologia do setor financeiro realizado hoje pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Há uma série de linhas novas em aprovação com o governo: Pronampe, FGI e expansão da folha de pagamento. E uma série de coisas que estamos discutindo, cuja implementação está mais lenta do que gostaríamos”, disse Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, em relação às conversas do setor bancário com o governo federal.

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O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, afirmou que os bancos estão abertos para mais prorrogação e postergação de contratos de crédito com os clientes, sendo que até o momento já foram mais de 10 milhões de contratos renegociados. “Prorrogamos por 60 dias, depois por 120 dias e pode ter mais prorrogação, sem mudar a taxa de juros.”

Isaac Sidney, presidente da Febraban, disse que o setor já emprestou mais de R$ 1 trilhão desde início da pandemia. “Muitas das críticas nos chamam a fazer melhor. A essas cobranças, atendemos com atenção e urgência”, disse. “Muita coisa trava diante de burocracia estatal de décadas, com processos morosos que não combinam com a urgência da demanda.”

Ainda de acordo com Sidney, o setor bancário já doou mais de R$ 2 bilhões para ações solidárias e estrutura hospitalar durante a crise. No total, 230 mil bancários estão trabalhando de suas casas, usando da tecnologia moderna e segura para atendimento dos clientes do setor financeiro.

Já Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, afirmou que oito em cada dez adultos no Brasil receberam benefício do governo federal distribuído pelos bancos durante a crise. “O governo federal tem todo o interesse em ajudar, em especial a população mais carente”, afirmou. Guimarães disse que, no caso do Pronampe, que é um programa voltado para empresas de menor porte, o banco já teve 175 mil empresas cadastradas.

Roberto Sallouti, presidente do BTG Pactual, afirmou que neste momento a situação das pequenas empresas é a mais sensível.“ Está claro para nós que pequenas empresas formam o segmento em que está faltando chegar o dinheiro na ponta”, disse o executivo. “O crédito cresceu, mas a demanda cresceu muito mais.”

Em relação ao processo de retomada, Sergio Rial, presidente do Santander Brasil, afirmou que o setor financeiro vai ser confrontado pelo sistema de pagamento instantâneo e o open banking. “Isso traz não só mais competição, mas desafios tecnológicos que já temos na crise”, afirmou. A recuperação da economia brasileira, em sua opinião, passa pela retomada do investimento em infraestrutura. “Sempre reclamávamos de ausência de taxa longa de juro mais previsível. Hoje temos taxa de juro que cabe no bolso de projetos. No final, não falta liquidez no mundo. Podemos ser catalisadores disso.”