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Setor agropecuário de acordo comercial com Mercosul divide UE

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker

Os países da União Europeia estão divididos sobre a apresentação de uma oferta do bloco no setor agropecuário ao Mercosul, dentro das negociações de um acordo comercial entre os dois grupos, indicaram fontes de Bruxelas nesta sexta-feira (29).

A UE e o Mercosul - que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - tentam negociar, após vários anos, um acordo comercial e devem fazer uma nova rodada de discussões em Brasília, entre 2 e 6 de outubro.

Onze países - França, Áustria, Bélgica, Hungria, Irlanda, Lituânia, Luxemburgo, Polônia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia - querem que a UE adie a apresentação desta oferta do domínio agropecuário, segundo uma fonte europeia.

Eles acreditam estarem vulneráveis à importação de produtos agrícolas considerados delicados - carne bovina, etanol, açúcar e aviários - e creem que uma proposta da UE acerca de cotas de importação seja inoportuna. "Eles acham que não é o momento, desejam esperar o fim das negociações", disse essa fonte à AFP.

Por outro lado, oito países - Alemanha, República Tcheca, Dinamarca, Itália, Portugal, Espanha, Suécia e Grã-Bretanha - se dizem favoráveis à apresentação dessa oferta, "para dar fôlego às negociações".

Nesta quinta-feira, em uma reunião em Bruxelas, a Comissão Europeia propôs aos 28 Estados-membros da UE aceitar um contingente de 70 mil toneladas de carne bovina e 600 mil toneladas de etanol por ano provenientes do Mercosul, a fim de ter sucesso num acordo comercial com o bloco comercial sul-americano, indicaram três fontes à AFP.

Questionado pela AFP, o Executivo europeu se negou a confirmar os dados. "A Comissão europeia discute atualmente ofertas tarifárias com os Estados-membros", declarou um porta-voz.

"Ela está determinada a encontrar um equilíbrio justo entre a importância de seus produtos para nossos parceiros do Mercosul e a necessidade de proteger os interesses dos agricultores europeus e as comunidades rurais, sempre levando em conta o impacto cumulativo de todos os acordos comerciais", acrescentou.

Durante um discurso ao Parlamento europeu, em Estrasburgo, em 13 de setembro, sobre a situação da União Europeia, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tinha declarado esperar alcançar "antes do fim do ano" um acordo político com o México e os países do Mercosul, como o que foi assinado neste ano com o Japão.