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Setor agrícola argentino critica corte "insuficiente" de tarifas e tensão aumenta

Por Nicolás Misculin e Adam Jourdan
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Por Nicolás Misculin e Adam Jourdan

BUENOS AIRES (Reuters) - A principal associação agrícola da Argentina disse nesta sexta-feira que as medidas do governo para reduzir temporariamente as tarifas de exportação de grãos são inadequadas e não abordam os problemas enfrentados pelos agricultores locais em meio a uma grave crise econômica e a rígidos controles de capital.

O governo do país anunciou na quinta-feira que reduziria as taxas sobre as exportações de soja em três pontos percentuais, para 30%, para estimular vendas e atrair volumes muito necessários de divisas estrangeiras. A tarifa voltará a ser de 33% em janeiro.

As taxas para farelo e óleo de soja também serão reduzidas, voltando a subir gradualmente nos próximos meses.

Os agricultores da Argentina, maior exportadora de soja processada do mundo, têm segurado as vendas da oleaginosa, o que preocupa o governo à medida que as reservas em moeda estrangeira diminuem em meio à pandemia de coronavírus. Há, também, pouca confiança no peso, com o país caminhando para seu terceiro ano consecutivo de recessão.

A Argentina também está saindo de um "default" soberano, após reestruturar mais de 100 bilhões de dólares em dívidas em moeda estrangeira.

A Mesa de Enlace, que incorpora as quatro principais organizações agrícolas do país, classificou os planos do governo de "insuficientes" e "medidas isoladas, que mais parecem remendos" do que uma estratégica abrangente.

"A falta de dólares é consequência das terríveis políticas de exportação que vêm sendo tomadas, olhando apenas para a arrecadação de impostos e desestimulando o crescimento da produção exportável", afirmou a entidade em comunicado, acrescentando não ter sido consultada sobre as medidas.

(Reportagem de Adam Jourdan, Nicolas Misculin e Hugh Bronstein)