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Setor aéreo na América Latina terá prejuízo de US$ 4 bi em 2020, diz Iata

Cibelle Bouças

A demanda de passageiros na região terá queda de 57,4% neste ano, em comparação com 2019, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo As empresas aéreas da América Latina devem encerrar 2020 com prejuízo da ordem de US$ 4 bilhões, de acordo com estimativa da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

A demanda de passageiros na região terá queda de 57,4% neste ano, em comparação com 2019. A capacidade ofertada pelas empresas aéreas terá redução de 43,3% no ano.

A Iata observou que a América Latina entrou na crise causada pela pandemia de covid-19 com atraso em relação ao Hemisfério Norte. Os governos da região adotaram medidas mais rígidas de fechamento de fronteiras e suspensão de voos, o que pode atrasar a recuperação do setor aéreo na América Latina.

Prejuízo no mundo

No mundo, o prejuízo do setor é estimado em US$ 84,3 bilhões, com queda de 54,7% no transporte de passageiros e de 40,4% na oferta de assentos. O número de passageiros no mundo cairá pela metade, para 2,25 bilhões, aproximadamente igual aos níveis de 2006.

O maior prejuízo será verificado na região Ásia Pacífico, com perda de US$ 29 bilhões no ano. A região foi a primeira a sofrer com a pandemia. Para 2020, a Iata prevê que a região terá queda de 53,8% na demanda de passageiros e de 39,2% na oferta de assentos.

Para a América do Norte, a previsão é de um prejuízo no setor aéreo de US$ 23,1 bilhões neste ano, com queda de 52,6% no transporte de passageiros. Na Europa, o prejuízo esperado para o ano é de US$ 21,5 bilhões, com queda de 56,4% na demanda de passageiros. Oriente Médio e África terão, respectivamente, prejuízos de US$ 4,8 bilhões e US$ 2 bilhões em 2020.

No mundo, de acordo com a Iata, a receita com transporte de passageiros deve cair para US$ 241 bilhões neste ano, ante US$ 612 bilhões em 2019, com queda no transporte de passageiros acima de 50%.

Malcom Fife

Transporte de cargas

O transporte de cargas, por sua vez, terá queda de 16,8%, para 51 milhões de toneladas. No entanto, a forte queda na oferta de espaço no porão dos aviões para transporte de cargas, com a suspensão de voos de passageiros, levou as empresas aéreas a subirem em 30% o preço médio do frete. Com isso, as receitas de carga atingirão US$ 110,8 bilhões em 2020 (acima dos US$ 102,4 bilhões em 2019). O frete aéreo contribuirá com aproximadamente 26% da receita do setor aéreo, ante 12% em 2019.

A Iata observou que os custos do setor aéreo não estão caindo tão rápido quanto a demanda. As despesas totais de US$ 517 bilhões estão 34,9% abaixo dos níveis de 2019, mas as receitas sofrerão queda de 50%. Os custos unitários excluindo combustível aumentarão 14,1%, uma vez que os custos fixos estão distribuídos por menos passageiros por voo. A menor utilização de aeronaves e assentos como resultado de restrições também aumentará os custos.

Os preços dos combustíveis oferecerão algum alívio. Em 2019, o combustível de aviação atingiu, em média, US$ 77 por barril, enquanto a média prevista para 2020 é de US$ 36,80. A Iata estima que o combustível representará 15% dos custos gerais do setor, ante 23,7% em 2019.