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Setor aéreo enfrenta importantes desafios em 2022 após um ano medíocre

·2 min de leitura
Viajantes circulam no hall do aeroporto internacional Changi em Singapura, 12 de janeiro de 2022 (AFP/Roslan RAHMAN)

O transporte de passageiros em 2021 não foi nem a sombra do que em períodos anteriores, com metade dos passageiros registrados em relação aos níveis pré-pandemia, e este ano ainda terá que enfrentar desafios, como a variante ômicron do coronavírus.

No ano passado houve 2,3 bilhões de passageiros, muito menos do que em 2019 (4,5 bilhões), o último ano antes do aparecimento da covid-19, informou nesta quarta-feira (12) a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

Estes números preliminares da agência da ONU refletem certa melhora em relação a 2020, quando a pandemia provocou uma paralisação quase total no setor durante semanas.

Em 2020, apenas 1,8 bilhão de passageiros embarcaram em aviões, 60% a menos do que no ano anterior, atingindo níveis que não se viam desde 2003.

Em 2021, as companhias aéreas continuaram sofrendo os efeitos da crise sanitária.

Assim, seu faturamento total em 2021 é estimado em 251 bilhões de dólares, 56,3% a menos do que em 2019 (575 bilhões de dólares), embora esta cifra melhore a marca de 2020 (203 bilhões de dólares).

Para 2022, a OACI planeja cenários que variam entre -26% e -31% de passageiros em relação a 2019, com perdas no faturamento de -32,4% a -37,7%.

A organização destacou, ainda, um contraste entre as conexões domésticas e internacionais, pois estas últimas são afetadas pelos fechamentos das fronteiras e outras restrições.

Em 2022, a OACI estima que o tráfego internacional de passageiros continuará sendo de 43% a 48% inferior ao de 2019.

Ao contrário, nos voos domésticos, o volume de passageiros será entre 14% e 19% mais baixo do que antes da crise sanitária.

- Queda brutal das reservas -

As previsões coincidem com as da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), que em outubro considerava que as companhias teriam perdas líquidas acumuladas de 11,6 bilhões de dólares este ano contra US$ 51,8 bilhões previstos em 2021 e US$ 137,7 bilhões de 2020.

No entanto, estas previsões foram feitas antes do aparecimento da variante ômicron do coronavírus, muito contagiosa, que levou os governos a impor restrições à circulação.

"Para nós é surpreendente que as vendas de passagens de avião para voos internacionais feitas entre dezembro e o começo de janeiro tenham caído brutalmente em relação a 2019, o que antecipa um primeiro trimestre [de 2022] mais difícil do que o esperado", avaliou nesta quarta-feira (12) o diretor-geral da IATA, Willie Walsh. Sua organização reúne mais de 290 companhias, que totalizam 83% do tráfego aéreo mundial.

Até agora, o cenário da IATA para 2022 prevê situações muito diferentes em função das grandes zonas geográficas, com as companhias aéreas americanas voltando ao terreno da rentabilidade (9,9 bilhões de dólares de ganhos acumulados).

As companhias aéreas, por sua vez, com grande preponderância de serviços internacionais, deveriam continuar deficitárias em 2022, com prejuízo previsto em 9,2 bilhões de dólares, segundo a IATA.

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