Mercado abrirá em 6 h 46 min
  • BOVESPA

    96.582,16
    +1.213,40 (+1,27%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    36.801,37
    -592,34 (-1,58%)
     
  • PETROLEO CRU

    36,19
    +0,02 (+0,06%)
     
  • OURO

    1.875,00
    +7,00 (+0,37%)
     
  • BTC-USD

    13.480,95
    -6,29 (-0,05%)
     
  • CMC Crypto 200

    264,01
    +21,33 (+8,79%)
     
  • S&P500

    3.310,11
    +39,08 (+1,19%)
     
  • DOW JONES

    26.659,11
    +139,16 (+0,52%)
     
  • FTSE

    5.581,75
    -1,05 (-0,02%)
     
  • HANG SENG

    24.580,22
    -6,38 (-0,03%)
     
  • NIKKEI

    23.119,03
    -212,91 (-0,91%)
     
  • NASDAQ

    11.194,50
    -148,25 (-1,31%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,7483
    +0,0027 (+0,04%)
     

Setembro Amarelo: sentimento de ‘não lugar’ faz taxa de suicídio ser maior entre jovens negros

Alma Preta
·4 minutos de leitura
Segundo o Ministério da Saúde, de cada dez jovens que se suicidam no Brasil, seis são negros; em cinco anos, a taxa de mortes por suícidio subiu 11,8% entre negros e 3% entre brancos. Foto: Nappy
Segundo o Ministério da Saúde, de cada dez jovens que se suicidam no Brasil, seis são negros; em cinco anos, a taxa de mortes por suícidio subiu 11,8% entre negros e 3% entre brancos. Foto: Nappy

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

Um estudo feito pelo Ministério da Saúde e pela Universidade de Brasília aponta que adolescentes e jovens negros entre 10 e 29 anos são as maiores vítimas de suicídio no país. Nessa faixa etária, de cada dez mortes confirmadas por suicídio, seis são de pessoas negras.

De acordo com a pesquisa, em 2012 a taxa de suicídio de adolescentes e jovens negros era de 4,88 mortes para cada 100 mil brasileiros, cinco anos depois, o percentual aumentou 11,88% e chegou a 5,46 por 100 mil em 2016. Entre os brancos, na mesma faixa de idade, a taxa era de 3,65 por 100 mil, em 2012, e subiu para 3,76 por 100 mil, em 2016, um crescimento de 3%.

Segundo o Ministério da Saúde, as principais causas associadas ao suicídio de pessoas negras são: o não lugar, ausência de sentimento de pertencimento, sentimento de inferioridade, rejeição, negligência, maus tratos, abuso, violência, inadequação, inadaptação, sentimento de incapacidade, solidão e isolamento social.

O psicólogo clínico Nelson Gentil explica que os dados confirmam um cenário muito mais antigo de violência contínua contra a população negra. “Desde o período da escravidão ocorreu uma produção de morte dos nossos corpos. A partir de uma invisibilidade e uma desumanização que deixam marcas e sequelas sociais que se atualizam até o dia de hoje”, afirma.

“Embora não estejamos acorrentados fisicamente e recebendo chicotadas, há correntes psíquicas que nos matam diariamente, fora as mortes reais que estão estampadas nos jornais. É um corpo que é invisibilizado e, ao mesmo tempo, apontado como perigoso e marginalizado. Passar por esse sistema racista é difícil e muitos não aguentam”, acrescenta Gentil.

Em 2016, o Ministério da Saúde contabilizou 3.094 suicídios de jovens brasileiros, 1.684 deles foram cometidos por negros. Entre 2012 e 2016, a soma de jovens que tiraram a própria vida foi de 15.213.

Suicídio e raça e gênero

O estudo também comparou o risco de suicídio de acordo com a cor e gênero. O resultado mostra que entre os homens o risco de suícidio de negros foi 50% maior do que os brancos. As mulheres negras apresentaram um risco 20% maior de suicídio do que as brancas.

O psicólogo Paulo Vitor Palma Navasconi, autor do livro “Vida, Adoecimento e Suicídio”, comenta que a questão precisa ser vista pela perspectiva de raça e o impacto da sociedade nas pessoas.

“Não tem como pensar a dor e o suicídio sem racializar, sem pensar as questões de classe, gênero e sexualidade e território. Naturalizar aquilo que é histórico é uma estratégia de poder. Isso acaba isolando o suicídio como um evento do íntimo, da subjetividade, do sujeito. E não é isso. É preciso ver o Brasil a partir da sua história para não naturalizar aquilo que não é natural, mas é produto social, de uma sociedade que é estruturada no racismo”, pondera.

Taxa de suicídio de pessoas negras por região

Os cinco estados com maior taxa de suicídios entre adolescentes e jovens negros de 10 a 29 anos, para cada grupo de 100 mil, foram Roraima (30,2), Piauí (13,9), Goiás (11,1), Acre (11) e Amazonas (9,6). Já os estados com as menores taxas foram Rio Grande do Sul (1,9), Santa Catarina (2,1), Paraná (2,1), Rio de Janeiro (2,9) e São Paulo (3,2).

Estados com grande população negra como Bahia, Pernambuco e Minas Gerais têm a taxa de suicídio de jovens negros em 5,1; 5,7 e 5,8, mortes para cada 100 mil, respectivamente.

A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, criada em maio de 2009, como uma resposta dentro do SUS (Sistema Único de Saúde) para combater a desigualdade social, econômica e estrutural no Brasil traz entre seus objetivos a redução das condições de desigualdade que levam ao suicídio dessa população na juventude.

“É preciso debater mais a questão do suicídio entre os negros com base nos dados e nos estudos que foram feitos até aqui e aprofundá-los. No entanto, é utópico achar que as mesmas pessoas brancas, que fizeram a escravidão, que estão no poder hoje e que dizem que não somos bem-vindos aqui, olhem com interesse para a questão racial do suicídio e busquem uma solução”, salienta o psicológo Nelson Gentil.

A psicóloga Òmìnira Okun defende uma solução com base no coletivismo e no acolhimento. “É importante estar entre pares no acolhimento do sofrimento derivado do racismo. Ser uma pessoa preta dentro de uma sociedade que se orienta pela supremacia branca pede o aquilombamento para a promoção da saúde mental. É fundamental essa união para recentralizar em si mesmo. A sociedade negra não é individualista, ela é de comunidade”, avalia.