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Servidores da Fiocruz admitem dificuldade para chegada de insumo para vacina contra Covid

CATIA SEABRA E JÚLIA BARBON
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Servidores da Fiocruz relataram a procuradores da República dificuldades para o recebimento do composto sem o qual não é possível produzir no Brasil a vacina Oxford/Astrazeneca contra a Covid-19. A informação consta de documento enviado nesta quarta-feira (20) por representantes do MPF (Ministério Público Federal) ao procurador-geral da República, Augusto Aras. No documento, representantes do MPF no Amazonas, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, em São Paulo e em Sergipe apontam que "em razão de contatos periódicos feitos com servidores federais da Fiocruz no contexto da pandemia, foi confirmada a dificuldade enfrentada pela referida fundação para o recebimento do estoque de IFA para a produção da vacina. Os procuradores pedem que Aras solicite do Ministério da Saúde e do Ministério das Relações Exteriores informações sobre as medidas adotadas para "resolução do problema". Pela previsão original, o IFA (ingrediente farmacêutico ativo), necessário para fazer a vacina produzido por uma parceira da AstraZeneca na China, seria enviado ao Brasil no fim de dezembro ou no início de janeiro. Mas, enfrentando percalços burocráticos, a fundação se esforça para que o insumo chegue no próximo sábado (23). A importação depende da liberação do país asiático. A falta do ingrediente provocou atraso no calendário de entrega de vacinas no Brasil. A Fiocruz prevê que só deve entregar no início de março as primeiras doses da vacina. A promessa anterior, feita no final de dezembro, era fornecer o primeiro lote do imunizante por volta de 8 de fevereiro. O novo cronograma consta de ofício encaminhado nesta terça (19) ao MPF, que acompanha e apura as estratégias de vacinação contra a doença. O texto de pouco mais de uma página, assinado pelo diretor do Instituto Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma Medeiros, foi uma resposta a um ofício do procurador federal Marcos Alencar Friaça que questionava as datas de entrega dos 2 milhões de doses prontas que serão trazidas da Índia e da outra parcela que será fabricada no Brasil pela Fiocruz. "Estima-se que as primeiras doses da vacina sejam disponibilizadas ao Ministério da Saúde em início de março de 2021, partindo da premissa de que o produto final e o IFA apresentarão resultados de controle de qualidade sasfatórios, inclusive pelo INCQS", diz trecho do ofício. Ainda segundo o documento, os lotes de IFA devem chegar em 30 remessas, com intervalos de duas semanas. Eles serão suficientes para produzir os 100,4 milhões de doses prometidas até julho pela fundação, que afirma já estar com uma linha de envase pronta para entrar em funcionamento. Sobre os 2 milhões de doses prontas que estão na Índia, a Fiocruz responde que ainda não é possível precisar a data de envio. "Isto porque, embora a carga contendo essas doses já esteja disponível, negociações diplomáticas entre os governos da Índia e do Brasil ainda se encontram pendentes de ajuste final para autorização do processo de envio", diz. O lote foi uma estratégia frustrada do Ministério da Saúde para antecipar o início da imunização. Nesta terça (19), o ministério das Relações Exteriores da Índia informou que começará a exportar vacinas nesta quarta (20) para seis países da sua região, portanto que não incluem o Brasil. O ofício da Fiocruz diz também que o trecho do contrato com a AstraZeneca que prevê a transferência de tecnologia para que a vacina de Oxford seja inteiramente de produção nacional está sendo revisado, sem dar mais detalhes. "Em razão de ajustes necessários de ordem técnica, a minuta do Contrato de Transferência de Tecnologia está sendo revisada pelas partes, havendo previsão de sua assinatura até meados de fevereiro", afirma a instituição. Após a chegada do insumo, a Fiocruz diz que ainda será preciso mais de um mês para o fornecimento das vacinas, já que, depois de produzidas, as doses ainda terão que passar por testes de qualidade. Estima-se que esses testes levem 17 dias, somados a mais 2 dias de análise pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde).