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Servidor de carreira será novo diretor do Inpe

Folhapress
·3 minutos de leitura

Clézio Marcos de Nardin está na instituição desde 1993 e foi escolhido a partir de uma lista tríplice para o mandato de quatro anos; órgão era comandado interinamente por um militar O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, nomeou um novo diretor para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), após mais de um ano com um militar no comando do órgão de forma interina. O novo diretor do Inpe será o geofísico espacial Clézio Marcos de Nardin. A nomeação foi publicada na edição desta sexta-feira (2), no Diário Oficial da União. Nardin ocupava até então o cargo de coordenador-geral de Ciências Espaciais e Atmosféricas do órgão. O engenheiro é formado pela Universidade Federal de Santa Maria e é doutor em Geofísica Espacial pelo próprio Inpe, título obtido em 2003. Ele está no órgão desde 1997. Seguindo os ritos tradicionais, o novo diretor foi escolhido a partir de uma lista tríplice definida pelo comitê da pasta responsável pela seleção dos candidatos. A lista não foi divulgada. Nardin terá um mandato de quatro anos. Clezio Marcos de Nardin é engenheiro e trabalha no Inpe desde 1997 Regis Filho/Valor Em nota em seu site, o Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT) afirmou que o novo diretor é um cientista "qualificado". "Clézio é um cientista qualificado, formado e treinado no próprio Inpe, onde se doutorou em Geofísica Espacial e atualmente é coordenador-geral de Ciências Espaciais e Atmosféricas do Inpe. E assim se credenciou, aos olhos do Comitê de Busca, para dirigir uma instituição tão complexa como o Inpe, que nos seus 59 anos de existência tem prestado bons serviços à sociedade e contribuído para o avanço da ciência", afirma o texto. O novo diretor vai substituir o militar Darcton Policarpo Damião, que ocupava o cargo de diretor interino desde agosto do ano passado. Damião assumiu o cargo após a demissão do físico Ricardo Galvão, nome respeitado no meio científico brasileiro. Galvão entrou em conflito com o presidente Jair Bolsonaro, por conta dos dados referentes ao desmatamento na Amazônia. Bolsonaro acusou a equipe do Inpe de "mentir" em seus alertas de crimes ambientais. A nomeação do novo diretor acontece em um novo momento em que o órgão é alvo de fortes críticas de setores do governo, dessa vez por conta dos dados referentes a queimadas na Amazônia e no Pantanal. O vice-presidente Hamilton Mourão chegou a afirmar que "alguém lá dentro" divulga os dados para fazer "oposição ao governo". O vice-presidente também já afirmou que pretende criar uma agência para centralizar os dados de monitoramento dos satélites. A nova agência seguiria o modelo norte-americano e, portanto, ficaria sob a responsabilidade de militares. Além disso, em um momento em que o Inpe enfrenta restrições orçamentárias, o Ministério da Defesa abriu licitação internacional para a contratação de um satélite radar - que capta imagens entre as nuvens - ao custo de R$ 145 milhões. A proposta foi momentaneamente abandonada, após determinação do Ministério da Economia para novos cortes no orçamento vigente, de 2020.