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Serpro e AWS anunciam parceira para o fornecimento de serviços em nuvem

Rui Maciel

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Amazon Web Services (AWS) anunciaram nesta terça-feira (2), a oficialização da assinatura do primeiro contrato de serviços em nuvem para o Serpro. O contrato, que deve atender a muitos dos serviços previstos na Estratégia de Governança Digital do Governo Federal, foi possível graças ao modelo aberto de parceria disponibilizado pela nova Lei das Estatais.

A AWS é o primeiro dos grandes players do setor de cloud computing a anunciar sua participação, atendendo a um chamamento público do Serpro, que aconteceu no final de 2019, mais precisamente no mês de novembro. O objetivo é fazer com que clientes da Serpro tenham acesso a soluções de última geração na área da computação em nuvem. Atualmente, a estatal tem mais de 100 clientes, muitos deles pertecentes ao próprio governo, como a Secretaria de Portos, Denatran, Receita Federal, Ministério das Relações Exteriores, Tesouro Nacional, Secretaria Especial de Comércio Exterior e a Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digita.

Cautela

Ainda que o início da parceria entre AWS e Serpro tenha acontecido no final do ano passado, a migração dos clientes da estatal para soluções na nuvem deve ocorrer de forma cautelosa. "Não temos uma timeline definida para essa migração. E nem todos [os clientes da Serpro] farão essa migração", afirmou Caio Mario Paes de Andrade, presidente do Serpro. "Temos mais de 100 contratos em andamento e essa mudança para o ambiente de multicloud sera feito em parte com a nuvem da Serpro, em parte com a da Amazon. Nessa transição, o administrador público precisa aprender a confiar no modelo e também pensar em modelos que podem ser monetizados".

O modelo de parceria entre AWD e Serpro não envolveu o investimento de valores de nenhum dos dois lados. No entanto, como parte do processo de integração entre Serpro e AWS, 240 funcionários da estatal já participaram recentemente de workshops da divisão de cloud da Amazon, com foco em capacitação, experimentos e co-criação."Por enquanto, é um 'casamento perde-perde", brincou Antonino dos Santos Guerra, diretor de Operações do Serpro. "Apenas quando tivermos novos contratos, começaremos a gerar receitas e os dois lados certamente ganharão".

Para além da capacitação, a Serpro também já utilizou créditos fornecidos pela AWS para realizar a expansão do Estaleiro, a estrutura de cloud computing desenvolvida pela própria estatal.

Migração do setor público

Santos Guerra também afirmou que o anúncio do contrato entre Serpro e AWS é o primeiro estágio na busca de novas soluções utilizando tecnologia em nuvem. "O futuro é a nuvem, mas existe um processo de transição. Nesse momento, estamos na fase de analisar quais os sistemas existentes podem ser migrados para o ambiente e quais clientes demonstram interesse por esse serviço. Também estamos desenhando soluções em inteligência artificial, virtualização de áreas de trabalho e segurança da informação", explicou.

Ainda de acordo com Paes de Andrade, as parcerias são fundamentais para a modernização do Estado. “O setor público, pelas regras que tem de obedecer, acaba ficando lento para determinados assuntos. Obviamente, a tecnologia está muito mais avançada. Se não conseguirmos fazer parcerias, não vamos fazer frente aos desafios que a tecnologia nos impõe. Precisamos ter mais desenvolvimento, mais pesquisa de desenvolvimento e também fazer as parcerias. Neste sentido, foi muito bem-vinda a Lei das Estatais, que permitiu oferecer produtos que ao mesmo tempo atendam aos clientes de Estado e façam transferência de tecnologia às empresas estatais”, avaliou.

Já para o diretor para Setor Público da AWS para América Latina, Canadá e Caribe, Jeffrey Kratz, o foco da empresa será sempre no cliente, em entender o que ele precisa e ajustar as especificações de suas soluções."Nessa experiência, estamos em animados em trabalhar com a SERPRO,
pela ampla experiência que eles têm no desenvolvimento de aplicações governamentais crí­ticas".

Fonte: Canaltech