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Seria de bom tom BID adiar eleição à presidência para esperar indicação do novo governo, diz Gleisi

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 01.11.2022 - A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fala em coletiva de imprensa sobre governo de transição, no Grand Mercure Hotel Ibirapuera. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 01.11.2022 - A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fala em coletiva de imprensa sobre governo de transição, no Grand Mercure Hotel Ibirapuera. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta sexta-feira (11) achar de "bom tom" o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) adiar as eleições para presidente para aguardar um nome indicado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

As declarações foram dadas no auditório do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do governo de transição.

Gleisi foi questionada sobre se o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda) havia entrado em contato com países como Estados Unidos, Chile, Colômbia e Argentina para pedir o adiamento da eleição para presidência do BID. Mantega integra o grupo técnico responsável pelo planejamento, orçamento e gestão na equipe de transição.

Gleisi disse desconhecer a informação. "Não conversei com o Guido e não sei se ele fez isso", afirmou, acrescentando que não houve orientação da equipe de transição nesse sentido.

"Não orientamos, mas eu acharia de bom tom eles adiarem", disse, pouco depois. "Nós temos um governo que foi eleito agora. Não tem por que não esperar a posse do governo para poder fazer a indicação."

A eleição para presidência do BID está marcada para 20 de novembro. O novo presidente do banco vai substituir Maurice Claver-Carone, destituído do cargo após um escândalo envolvendo investigação sobre um relacionamento dele com uma subordinada.

Em 24 de outubro, antes do segundo turno das eleições, o Ministério da Economia indicou o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn como candidato do Brasil na disputa.

"Em nota pública, [o ministro da Economia, Paulo] Guedes afirma que o candidato concilia ampla e bem-sucedida experiência profissional no setor público, em organismos multilaterais e no setor privado, além de sólida formação acadêmica, que o qualificam para o exercício do cargo de presidente da instituição", informou a pasta.

Goldfajn é atualmente diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional). Ele foi presidente do Banco Central brasileiro entre 2016 e 2019, durante o governo de Michel Temer, e diretor de Política Econômica do órgão entre 2000 e 2003.

Se aprovado, Goldfajn será o primeiro brasileiro no comando da instituição, que financia projetos na América Latina. No entanto, há a avaliação de que a vitória de Lula tornou o cenário mais adverso para a indicação. Os países da região estão mais alinhados à esquerda, o que pode gerar resistências a um nome apresentado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

O Brasil teve outra oportunidade de indicar alguém à presidência, em 2020, mas desistiu após o então presidente dos EUA, Donald Trump, pedir diretamente a Bolsonaro que apoiasse Carone. Na época foram cotados Marcos Troyjo (hoje no Novo Banco do Desenvolvimento) e o banqueiro Rodrigo Xavier.