Mercado abrirá em 8 h 48 min

Sergio Moro pode ser considerado um candidato de centro?

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
Brazil's Justice Minister Sergio Moro gives a press conference to announce his resignation in Brasilia, Brazil, Friday, April 24, 2020. Moro made the announcement after Brazilian President Jair Bolsonaro changed the head of the country's federal police. (AP Photo/Eraldo Peres)
Ex-juiz foi responsável por mandar prender Lula no âmbito da operação Lava Jato (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

A reunião entre Sergio Moro e Luciano Huck para tentar formar uma chapa supostamente de “centro” chamou atenção de muitos brasileiros. Faz sentido colocar o ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) fora do espectro da direita?

Na opinião do sociólogo e cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Prando, faz parte de um processo executado pelo ex-juiz, responsável pela operação Lava Jato. O movimento de Moro desde que saiu do governo fazendo críticas ao governo Bolsonaro, foi de se desassociar das crenças do presidente.

“Quando ele [Moro] percebeu que não teria a possibilidade de agir de acordo com suas convicções ou vontades, o Sergio Moro, naquele capítulo em relação à intervenção na Polícia Federal, se retira do governo e se retira atirando, se retira fazendo muito barulho”, relembra. “Quando ele sai do governo, ele consegue se distanciar, dizer ‘eu não concordei’. O mesmo acontece de certa maneira com o Mandetta, que foi ministro da Saúde. Ele saiu do governo, que era um governo sabidamente conservador, de direita, e de algumas posturas de extrema direita, e ao sair ele também caminha junto com o Moro mais para o Centro.”

Luiz Henrique Mandetta também faz parte da articulação com Moro e Huck. Além dele, João Doria também estaria envolvido no projeto para 2022.

Leia também

Prando ainda lembra que, como juiz da Lava Jato, Moro afastou-se de qualquer espectro da esquerda, por ter sido o responsável por prender o ex-presidente Lula. “Moro acabou se tornando um símbolo do combate à corrupção, mas, em contrapartida, também um símbolo de ataque direto ao PT e ao ex-presidente Lula. Com isso, ele ganhou notoriedade especialmente nos grupos de direita e até em uma direita mais radical, mais extremista”, aponta.

A avaliação do cientista político é que o almoço com Luciano Huck seja mais uma parte da movimentação em direção ao centro. “Ele quer se afastar do bolsonarismo e de antemão já estaria afastado do lulopetismo”, avalia. “Ele está fazendo um movimento. Se vai dar certo ou não, ainda é difícil prever, mas, certamente ele faz o movimento.”

Na visão de Mauricio Fronzaglia, professor de ciência política da Universidade Presbitariana Mackenzie e da Fundação Getúlio Vargas, antes de pensar em partidos políticos, Moro se apresenta essencialmente como antipetista. “Embora ele não tenha esse discurso antipetista, a gente percebe isso por toda a Operação Lava Jato. E esse campo do antipetismo é amplo, pega desde a centro esquerda até a extrema direita”, avalia.

Ter deixado o governo Bolsonaro também se tornou um trunfo para Moro, na tentativa de ir para o centro do espectro político. “Toda vez que estoura um escândalo de corrupção do governo, toda vez que sai alguma coisa dessas, ele pode dizer ‘por isso saí do governo’”, aponta. “E ele está buscando espaço político dele, que certamente não é da esquerda, mas é oposição ao governo Bolsonaro.”

Na avaliação de Maurício Fronzaglia, o futuro do ex-ministro como político também dependerá da escolha do partido político. Caso seja o PSDB, reforçaria a posição de centro.

“Bem ou mal, no governo do PSDB no estado de SP e na prefeitura, você tem política social também, que é uma marca da esquerda. Não é algo tão forte, mas eles não são completamente à direita. Eles estão nesse meio termo. Economicamente eles são mais liberais, ou seja, mais a direita, mas eles não desprezam a questão social. Não é prioridade, mas eles se importam”, pondera.