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Seres humanos bebiam leite 6.000 anos antes de poder digerir a bebida [estudo]

Os seres humanos estavam bebendo leite milhares de anos antes de terem genes que permitissem sua digestão sem dores de barriga, diarreias e cólicas. A descoberta foi feita por cientistas britânicos e publicada na revista científica Nature. Anteriormente, se pensava que a tolerância à lactose teria se desenvolvido junto ao advento da agricultura, mas a nova descoberta desbanca essa teoria.

Para o achado, os autores analisaram milhares de resíduos de gordura animal encontrados em 13.000 fragmentos de recipientes de 554 sítios arqueológicos por toda a Europa. Traços microscópicos de leite em pedaços de cerâmica sugerem que o consumo de leite era alto durante o Neolítico europeu, de 7.000 a.C. em seguida.

Acreditávamos que a tolerância à lactose tivesse ocorrido por conta do advento da agricultura, mas a ciência descobriu que não foi bem assim (Imagem: SergioPhotone/Envato Elements)
Acreditávamos que a tolerância à lactose tivesse ocorrido por conta do advento da agricultura, mas a ciência descobriu que não foi bem assim (Imagem: SergioPhotone/Envato Elements)

Resistindo ao leite

Também chamada de persistência da lactase, a tolerância à lactose era muito rara durante o Neolítico. O açúcar do leite, chamado de lactose, é transformado em glicose e galactose pela enzima lactase: sem ela, ou com pouco dela, a substância não é quebrada no estômago, o que faz com que a lactose fermente no intestino, gerando gases, diarreia e dores estomacais em quem consome o leite.

Analisando evidências genéticas de povos pré-históricos europeus e asiáticos, descobriu-se que os genes envolvidos na produção de lactase não eram comuns até o ano 1000 a.C., quase 4.000 anos antes de sua primeira detecção no ser humano, datada de 4700 a.C. Após o primeiro milênio antes de Cristo, o gene se espalhou rapidamente pelo continente, levando poucos milhares de anos.

Segundo os cientistas, a frequência dessa variante genética aumentou de forma ridiculamente rápida para os padrões da biologia. É, provavelmente, o traço genético mais unicamente selecionado a ter evoluído em populações europeias, africanas, do sul da Ásia e do Oriente Médio ao longo dos últimos 10.000 anos.

Durante nossa evolução, a tolerância à lactose parece ter sido selecionada naturalmente durante períodos de fome e doenças (Imagem: DEA Picture Library)
Durante nossa evolução, a tolerância à lactose parece ter sido selecionada naturalmente durante períodos de fome e doenças (Imagem: DEA Picture Library)

Como o gene se espalhou?

Pensava-se, antes, que o consumo mais frequente de leite houvesse sido o fator determinante para a tolerância à lactose, mas agora esse não parece ter sido o caso. Então, qual foi? Estudando dados genéticos e médicos de mais de 300.000 pessoas no Reino Unido, os cientistas notaram que pessoas com o gene da lactase e pessoas com intolerância à lactose tomam mais ou menos a mesma quantidade de leite.

A questão é que beber leite sendo intolerante à lactose não irá matar o consumidor: os efeitos são leves ou, no máximo, medianos. Mas isso muda caso a população esteja passando por uma época de grande fome ou doença: indicadores de carestia (fome em massa) e exposição a patógenos do passado mostram que a variante genética que traz a persistência da lactase esteve sob uma seleção natural mais pesada durante esses períodos difíceis para a espécie humana.

Caso você seja intolerante à lactose, tomar leite pode dar uma diarreia ou cólicas, flatulência, sintomas desconfortáveis. Mas você não irá morrer. Uma diarreia combinada com outras doenças ou desnutrição, no entanto, pode ser fatal. Segundo os cientistas, foram esses momentos que acabaram selecionando — isto é, deixando vivos — os humanos tolerantes à lactose. Caso você possa tomar leite sem problemas estomacais hoje em dia, agradeça aos seus ancestrais: eles passaram fome para que você pudesse beber seu café com leite.

Fonte: Canaltech

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