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Será? Startup anuncia que pode prever se embrião será inteligente ou não

Nathan Vieira

Já pensou se você pudesse saber se um embrião é mais propenso a contrair determinadas doenças, se ele vai ser inteligente ou se vai ter algum atraso mental? Pois foi exatamente essa a ideia de uma empresa norte-americana chamada Genomic Prediction. Acontece que, recentemente, essa startup anunciou que pode fazer testes de DNA que pode fazer essas previsões, assim, pais que estivessem apostando em uma fertilização in vitro, por exemplo, poderiam ver se os embriões teriam mais riscos de desenvolver diabetes, sofrer de ataques cardíacos ou até mesmo câncer.

A empresa lançou esses testes em outubro deste ano, e eles ganharam o nome de LifeView. Aí você pergunta: como é que eles acontecem? Basicamente, algumas células são retiradas de um embrião que possui apenas alguns dias de idade, e então a empresa faz a análise do DNA. No entanto, os centros de fertilidade ainda não tiveram a chance de oferecer o teste para as pessoas, porque tudo ainda é muito novo, e apesar de alguns embriões já terem sido testados pela empresa, não há certeza de que eles tenham de fato iniciado uma gravidez.

E pelo que parece, não é todo mundo que está contente e otimista com essa ideia não, viu? Um geneticista da Universidade da Califórnia chamado Graham Coop, por exemplo, disse o seguinte: “É irresponsável sugerir que a ciência chegou num ponto em que poderíamos prever com segurança qual embrião selecionar para minimizar o risco de doença. A ciência simplesmente ainda não existe”. Tendo isso em mente, a expectativa é que a empresa apresente em breve seus primeiros relatos de casos, mas já tem um público interessado: um casal gay, por exemplo, começou a fertilização in vitro, planeja empregar uma mãe de aluguel, e quer que um filho com baixo risco de câncer de mama. Nesse caso, essa previsão que o LifeView tanto promete poderia ser útil.

Startup diz que pode prever se o feto vai ter atraso mental

Até agora, a Genomic Prediction ganhou mais atenção pela possibilidade de escolher os embriões que podem se tornar as crianças mais inteligentes, e embora a startup tenha tentado se distanciar das polêmicas, tem sido muito difícil, já que Hsu, um co-fundador da empresa em questão, está frequentemente na mídia falando sobre essa ideia — neste ano mesmo, ele disse ao The Guardian que prever o QI com precisão será possível nos próximos cinco ou dez anos.

Por enquanto, a empresa está se limitando a alertar os pais sobre os embriões que podem ter um QI inferior a 70, o que alguns especialistas veem como um jeitinho de evitar controvérsias. "Eles dizem que vão testar a condição médica da deficiência intelectual, não os embriões mais inteligentes, porque sabem que as pessoas vão se opor a isso", diz Laura Hercher, do Sarah Lawrence College. O pior de tudo é que, veja só: um relatório de maio da Universidade Hebraica de Jerusalém apontou que essa coisa de prever os embriões mais altos ou mais inteligentes pode não funcionar muito bem, considerando que os pesquisadores estimaram que essa técnica resultaria em encontrar um embrião que viria a ser 2,5 centímetros mais alto que a média e uns dois pontos de QI a mais, o que não significa quase nada, na prática.

Déjà vu: a história do "gene gay"

Fake news envolvendo previsões de que embriões seriam gays ou não tomaram conta da área da saúde

Não é a primeira vez que isso de fazer previsões por meio dos embriões movimenta a área da saúde, já que anteriormente, fake news envolvendo previsões para saber se o embrião seria homossexual ou não levantaram polêmicas. Entretanto, segundo a BBC, uma análise genética de quase meio milhão de pessoas levou à conclusão de que não existe um "gene gay" específico. O estudo aponta várias variações genéticas associadas a relações entre pessoas do mesmo sexo, mas que fatores genéticos só respondem por, no máximo, 25% do comportamento de pessoas que se relacionam com pessoas do mesmo sexo.

Pesquisadores da Universidade de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT) examinaram a composição genética de 409 mil pessoas inscritas no projeto Biobank, do Reino Unido, e 68,5 mil registradas na 23andMe, uma empresa de testes genéticos. De acordo com Ben Neale, professor de genética no Hospital Geral de Massachusetts, a genética não explica nem metade dessa questão de comportamento sexual, mas ainda é um fator muito importante: "Não existe um único gene gay. Um teste genético para prever se a pessoa vai querer ter um relacionamento homossexual não vai funcionar. É impossível prever o comportamento sexual de um indivíduo a partir de seu genoma", afirmou.

Fonte: Canaltech

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