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Será que podemos detectar megaestruturas alienígenas ao redor de buracos negros?

·3 minuto de leitura

Na década de 1960, o físico e matemático Freeman Dyson propôs que civilizações avançadas poderiam construir uma estrutura ao redor de uma estrela para coletar sua energia. O conceito parece estranho, mas ganhou a atenção de muitos cientistas e ficou conhecido como Esfera de Dyson. Ao longo das décadas, a ideia passou por várias alterações, mas nenhuma delas foi tão radical quanto a de um novo artigo: uma Esfera de Dyson ao redor de um buraco negro ativo.

Para a humanidade, construir uma Esfera de Dyson é impossível, mas, em 2015, o telescópio espacial Kepler detectou uma enorme oscilação da luminosidade da estrela KIC 8462852, levando alguns astrônomos a cogitar que poderia haver uma megaestrutura similar à Esfera de Dyson ao redor dessa estrela. O mesmo ocorreu com a estrela de Tabby, mas com uma queda bem menor de luminosidade durante suas oscilações.

Agora, uma equipe de cientistas liderada por Tiger Yu-Yang Hsiao, da National Tsing Hua University, em Taiwan, publicou um artigo na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society descrevendo uma espécie de Esfera de Dyson construída ao redor de um buraco negro ativo. Por mais absurda que pareça a ideia, é teoricamente possível — se alguma civilização conseguir viajar até perto de um buraco negro, é claro.

Conceito artístico da megaestrutura alienígena que causaria o Random Transiter em uma estrela (Imagem: Danielle Futselaar/METI International)
Conceito artístico da megaestrutura alienígena que causaria o Random Transiter em uma estrela (Imagem: Danielle Futselaar/METI International)

Se alguma civilização tecnológica conseguir construir a estrutura, poderia escolher um buraco negro ativo, ou seja, que esteja se alimentando de matéria. É que quando esses objetos fazem suas “refeições”, um disco de acreção é formado ao seu redor, com plasma em altas temperaturas e velocidades girando ao redor do horizonte de eventos — o ponto de não retorno dos buracos negros. Esses discos são extremamente energéticos, com até 100 mil vezes a luminosidade do Sol.

Além disso, os buracos negros ativos emitem uma dupla de jatos relativísticos até a alguns milhares de anos-luz de distância. Se a Esfera de Dyson puder coletar a energia desses jatos também, junto de outras manifestações energéticas do buraco negro — tais como a energia cinética dos jatos — a energia total coletada seria aproximadamente cinco vezes maior".

Bem, isso poderia funcionar, mas o que realmente nos interessa nesse assunto não é a suposta possibilidade de construir uma Esfera de Dyson — sabemos que ainda não somos capazes —, mas sim o fato de que uma civilização que obtenha sucesso em um projeto semelhante a este poderia ser detectada por nós, terráqueos. Isso porque essa estrutura poderia ser detectável ​​em vários comprimentos de onda.

De acordo com o artigo, as esferas de Dyson mais quentes seriam mais visíveis na faixa ultravioleta, enquanto as esferas mais frias seriam visíveis no infravermelho. O problema é que os próprios buracos negros já emitem radiação nesses comprimentos de onda, o que poderia tornar o trabalho um pouco mais difícil. Ainda assim, a equipe sugere procurar outros eventos, como mudanças na luz conforme o buraco negro é ligeiramente afetado pela gravidade da esfera de Dyson.

Fonte: Canaltech

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