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"Me senti culpada", diz cartunista que sobreviveu a ataque contra Charlie Hebdo

Valentin BONTEMPS, Anne-Sophie LASSERRE
·2 minutos de leitura
A cartunista Corinne Rey, também chamada de 'Coco', comparece a um tribunal em Paris
A cartunista Corinne Rey, também chamada de 'Coco', comparece a um tribunal em Paris

"Eu pensei que seria executada". No julgamento referente aos ataques ocorridos em janeiro de 2015 na França, o tribunal reviveu nesta terça-feira (8) a "barbárie" com os primeiros depoimentos de sobreviventes do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, que foram "marcados para sempre". 

"O medo me invadiu, eu não conseguia pensar". Diante de um tribunal especial em Paris, Corinne Rey, também conhecida como Coco, busca as palavras, com um nó na garganta. 

Sob a ameaça de uma AK-47, foi ela quem digitou o código na porta de entrada do prédio, permitindo que os irmãos Chérif e Said Kouachi entrassem na redação e cometessem sua carnificina em 7 de janeiro de 2015. 

"Eu sabia que era uma Kalashnikov (AK-47)", confessou a cartunista do jornal satírico, relatando sua longa "subida de escada" até a entrada dos escritórios do Charlie Hebdo, junto com os irmãos Kouachi, que estavam "armados até os dentes". 

"Eles me disseram: 'Queremos Charlie, queremos Charb'. Fiquei arrasada, como se tivesse sido retirada de mim mesma, não podia fazer nada. Fui até a porta e digitei o código", afirmou Coco, com as mãos apoiadas sobre a mesa. 

Assim que entraram nos escritórios, os terroristas atiraram em Simon Fieschi, administrador do site do jornal. 

O mais velho, Said, ficou de guarda na entrada, enquanto o mais novo, Chérif, correu para a sala de reuniões. Corinne Rey se escondeu embaixo de uma mesa. 

"Eu estava tremendo, se ouviam os tiros", explicou a cartunista, petrificada. "Depois do tiroteio, houve silêncio, um silêncio mortal".

- "Impotência" -

A descoberta da cena do massacre e dos 10 cadáveres, depois da morte dos irmãos Kouachi, foi uma visão de "horror". "Vi as pernas de Cabu. Wolinski não se mexia. Vi Charb: o lado do rosto dele estava extremamente pálido. Riss estava ferido, ele disse: 'Não se preocupe, Coco'", relatou ela.

Na sala da audiência, onde se encontram alguns dos 14 réus julgados por apoiar logisticamente os autores materiais do atentado, que morreram após cometer o crime, permaneceu um pesado silêncio. 

"Naquele dia eles mataram talentos, eram modelos para mim. Eram pessoas extremamente gentis, que tinham um jeito de ser engraçado ... Não é fácil ser engraçado, mas eles eram muito bons nisso", disse Coco. 

Cinco anos após o massacre, a cartunista, que completou recentemente 38 anos, explica que continua a lutar com as "terríveis" lembranças do ataque, que "giram em sua cabeça" e que tenta expulsar ao continuar desenhando no Charlie Hebdo.

"Eu me senti impotente. A impotência é a coisa mais difícil de suportar no que aconteceu. E me senti culpada", acrescenta ela, explicando que às vezes tinha a impressão de que levava "um monstro para casa".

"Levei muito tempo para perceber que não sou a culpada por isso. Os únicos culpados são os terroristas islâmicos. Os Kouachi e aqueles que os ajudaram", finalizou Corinne Rey.

asl-vab/meb/jz/bn/cc