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Senadores querem fazer mudanças em pacote econômico de Guedes

DANIEL CARVALHO
BRASÍLIA, DF, 05.11.2019 - PACTO-ECONÔMICO - O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), entrega ao presidente do senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), um conjunto de propostas para dar maior flexibilidade ao Orçamento, ações para elevar os repasses de recursos a estados e municípios (pacto federativo), além da revisão de cerca de 280 fundos públicos. O ato foi no gabinete da presidência do Senado. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Senadores de diversos partidos disseram que farão mudanças no pacote Mais Brasil, conjunto de três PECs (Propostas de Emenda à Constituição) de reestruturação do Estado brasileiro entregue pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta terça-feira (5).

Bolsonaro disse que o pacote deve ser aprovado até "meados do ano que vem", mas o calendário dos líderes do governo no Congresso é mais apertado do que o proposto por Bolsonaro. Eles querem aprovar tudo até abril, mês em que tradicionalmente as atenções do Legislativo se voltam às eleições municipais.

No entanto, outros senadores dizem que este prazo não é exequível. Além disso, afirmam que polêmicas gestadas no governo podem atrapalhar ainda mais a tramitação do pacote.

"Não vamos, de afogadilho, em nome do que quer que seja de números, causar nenhum tipo de injustiça. Qualquer avanço que a gente der, é melhor do que temos hoje. Se o governo sair daqui com 50%, 60% do seu pacote aprovado no Congresso Nacional até março, já é uma grande vitória para o país", disse a presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS).

Para o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), o discurso de integrantes do governo que ele entende como de demonização do servidor público dificulta a situação. Além disso, ele diz que Bolsonaro já não pode mais contar integralmente com o PSL, partido do qual pretende sair, e que o calendário eleitoral inviabiliza o Legislativo em 2020.

"Não acho que [as propostas apresentadas] vão gerar polêmicas. Eu tenho certeza. Este pacote não vai ser votado agora.  Se nem no PSL, que é o único partido que até então foi 100% fiel ao presidente, não tem mais consenso em relação a esta unicidade em projetos do governo, pelo que  tenho conversado com líderes na Câmara e no Senado, cada matéria vai ser exaustivamente discutida", afirmou Olímpio.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) também considerou o calendário do governo demasiadamente otimista e disse esperar que o governo não provoque crises que atrapalhe a tramitação das PECs.

"Sempre temos a esperança de que o governo se porte de forma mais racional."

Para melhorar o ambiente, definir a tramitação e estabelecer quem vai relatar as propostas na CCJ, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vai reunir líderes partidários em um café da manhã nesta quarta-feira (6).

Os relatores devem ser dos três partidos com maiores bancadas no Senado: MDB, Podemos e PSD. O MDB já definiu que indicará o senador Marcio Bittar (AC). Os líderes dos outros dois partidos ainda não definiram seus nomes.