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Senador mostra bandeiras de Brasil e EUA e pede que chanceler abrace a brasileira

Renan Truffi e Vandson Lima
·2 minutos de leitura

Araújo presta esclarecimentos sobre visita de secretário americano à fronteira com a Venezuela O senador Telmário Mota (Pros-RR) ironizou nesta quinta-feira as explicações do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, às instalações da Operação Acolhida, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O chanceler foi convidado pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado a explicar o episódio, mas suas respostas não convenceram o senador de Roraima. “Por que o Pompeo foi agora lá, em plena campanha do [presidente americano, Donald] Trump? Por que ele não foi lá na hora da crise da imigração, para nos ajudar, quando ninguém tinha dinheiro para nada? Por que ele não esteve lá, senhor ministro, na hora de se fazer a interiorização? Por que ele não esteve lá, senhor ministro, na hora da nossa crise da pandemia?”, questionou Telmário. Telmário Mota (Pros-RR) na Comissão de Relações Exteriores do Senado Reprodução / TV Senado “Nosso povo estava morrendo! Não tínhamos respiradores. Os Estados Unidos compraram todos da China e não deu nenhum para nós. Estávamos mandando nosso povo de Boa Vista para Manaus para respirar. O senhor Pompeo, homem humanitário, de coração grande e bom, resolveu ir lá agora, na hora em que não estamos precisando dele. E por que ir para Roraima? Por que ele não veio para cá, para fazer o discurso dele aqui em Brasília?”, completou. Em seguida, o senador mostrou duas bandeiras, uma dos EUA e outra do Brasil, e pediu que Araújo abrace a brasileira em vez da americana. “Vossa excelência tem um viés ideológico extremamente forte e queria, ministro, dar-lhe um conselho, uma sugestão. Queria lhe dar um presente, permita-me. Aqui, temos duas bandeiras: esta é americana e esta é brasileira. Esta é que é a nossa. Esta aqui é a do nosso coração. É esta que temos que abraçar”. Os americanos já abraçam bem a deles. Eles a hasteiam em qualquer lugar. Então, trouxe uma [bandeira brasileira] para o senhor. Mandei fazer para o senhor levar para casa e ver todo dia”, ironizou. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores disse ter a bandeira brasileira no coração e criticou a política externa de governos anteriores. “Em primeiro lugar, muito obrigado pela bandeira. Já tenho uma, várias. Não tenha a menor dúvida de que eu tenho a bandeira do Brasil no meu coração, e não a de nenhum outro país”, rebateu. “Acho que houve problemas realmente num passado recente. Autoridades brasileiras que não tinham essa bandeira no coração e que não tinham, na verdade, amor ao povo brasileiro no coração. Durante muito tempo, fizemos uma política externa que eu acho que tinha talvez a bandeira da ONU no coração, ou que não acreditava no povo brasileiro, que desprezava o povo brasileiro”, disse Araújo.