Senado dos EUA fecha acordo para evitar 'abismo'

O acordo extraído por democratas e republicanos no Senado dos Estados Unidos não se mostrava suficiente para evitar a adoção, a partir de hoje, das medidas do chamado abismo fiscal. Enviado à Câmara dos Deputados ontem, o texto provocou resistência em boa parte da oposição e mesmo entre aliados partidários do presidente americano, Barack Obama.

Até o fechamento desta edição, o acordo não havia sido votado pela Câmara. Faltavam apenas quatro horas para o prazo final. O presidente da casa, o republicano John Boehner, afirmou ser improvável a aprovação sem emendas, o que levaria o texto de volta ao plenário do Senado.

Sem ao aval das duas casas até as 23h59 de ontem, US$ 110 bilhões em despesas federais começariam a ser cortados hoje nos Estados Unidos, e benefícios para os contribuintes desapareceriam. Esse "abismo fiscal" provocaria nova recessão. O efeito mais imediato seria percebido hoje na abertura das bolsas de valores e dos bancos.

Boehner dizia ter 100 deputados prontos a votar em favor do projeto - muitos dos quais, sem muita convicção. O número não era suficiente para a aprovação do acordo. Os membros da facção radical Tea Party prometiam rejeitar o texto.

Solução parcial. O acordo alcançado no Senado foi aprovado com 89 votos a favor e 8 contra, com três abstenções. Mas não se tratou de um texto completo, capaz de tirar do horizonte o risco do "abismo fiscal". A impossibilidade de consenso sobre os cortes nos gastos federais, até o prazo de 24h de segunda-feira, levou os líderes a uma solução parcial e pragmática.

O acordo restringiu-se a seu capítulo tributário e suspendeu, por dois meses, a redução de US$ 110 bilhões nas despesas federais de 2013 - uma das medidas do "abismo fiscal". Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso, as medidas deverão reduzir o déficit público em US$ 329,6 bilhões neste ano e em US$ 3,97 trilhões entre 2013 e 2022. Esse cálculo não inclui os cortes de gastos, ainda indefinidos.

Pelo texto aprovado no Senado, no fim de fevereiro, os dois partidos novamente terão de extrair um acordo sobre esse capítulo. Caso contrário, os US$ 110 bilhões começam a ser ceifados do orçamento deste ano, e mais US$ 450 bilhões serão cortados entre 2014 e 2022. Mas, na noite de ontem, os republicanos da Câmara pressionavam por uma emenda para incluir o corte de US$ 300 bilhões nas despesas federais até 2022.

O texto não incluiu a prorrogação da Lei Agrícola.

Dessa forma, seja com o acordo aprovado na Câmara ou não, o setor agropecuário dos EUA perderá os US$ 5 bilhões em subsídios previstos para este ano.

Esse acordo no Senado somente foi alcançado depois da intervenção do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, senador por 24 anos e potencial candidato à Casa Branca em 2016. Biden não foi convocado por Obama para interferir nas conversas, mas pelo líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, segundo o New York Times. McConnell recorreu ao velho amigo quando percebeu ter chegado a um impasse com o negociador democrata, Harry Reid. (Denise Chrispim Marin, correspondente)

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