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Senado aprova sessão especial para homenagear Paulo Freire

Renan Truffi

A autorização ocorre um dia depois do presidente Jair Bolsonaro atacar o educador Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro atacar o educador Paulo Freire, o plenário do Senado aprovou um requerimento que autoriza a realização de uma sessão especial destinada a homenagear o patrono da educação brasileira. A previsão é que a sessão aconteça em maio de 2020.

Slobodan Dimitrov/Wikimedia Commons

O requerimento é de autoria dos senadores Weverton Rocha (PDT-MA), Esperidião Amin (PP-SC), Lasier Martins (Podemos-RS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), mas foi assinado também pelo líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO).

Weverton Rocha e outros senadores criticaram duramente Bolsonaro pela ofensiva contra Paulo Freire. O educador é autor do livro "Pedagogia do Oprimido", entre outras 40 obras, e considerado um dos mais notáveis pensadores da história da pedagogia mundial. Ontem, o presidente da República chamou Freire de "energúmeno" ao criticar a TV Escola, descontinuada pelo Ministério da Educação (MEC).

“Queriam renovar o contrato da TV Escola, R$ 300 milhões. Dinheiro jogado fora. Dizem que eu quero acabar com a cultura. Esse tipo de cultura vai acabar mesmo", disse. "Era uma programação [da TV Escola] totalmente de esquerda, ideologia de gênero, dinheiro público para ideologia de gênero. Então, tem que mudar. Daqui a cinco, dez, 15 anos vai ter reflexo. Os caras estão há 30 anos [no ministério], tem muito formado aqui em cima dessa filosofia do Paulo Freire da vida, esse energúmeno, ídolo da esquerda", complementou o mandatário brasileiro.

Também hoje, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, moção de aplausos a Paulo Freire. O ato, proposto pelo Psol, recebeu o apoio de 20 líderes partidários.