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Seminário histórico do século 19 é restaurado e vira residencial em Petrópolis

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A 400 metros do centro histórico de Petrópolis (RJ), um imóvel que abrigou padres e seminaristas por mais de 120 anos está sendo restaurado. A construção do século 19 vai se tornar um residencial coliving de alto padrão.

Serão 156 apartamentos estilo loft, com pé direito alto e metragem de 19 m² a 50 m² no prédio onde ficava o Seminário São Vicente de Paulo.

O imóvel, localizado na avenida Barão do Rio Branco, foi comprado em 1882 pela Província Brasileira da Congregação da Missão, sua mantenedora até hoje.

Na metade do século 20, um prédio anexo com quatro pavimentos foi construído para as atividades do Seminário São Vicente de Paulo. Com a queda no número de seminaristas ao longo do tempo, o local ficou fechado por 12 anos, até reabrir em 2000. Porém, desde 2008, o seminário encerrou as atividades em definitivo.

O complexo religioso de estilo francês inclui ainda uma igreja, de 1940, que também está sendo restaurada. A previsão é de que as missas sejam retomadas no ano que vem, abertas à sociedade.

Para manter o local, patrimônio histórico e cultural do estado do Rio de Janeiro desde 1998, foi necessário buscar investidores.

O empreendimento São Vicente Residence é uma parceria entre a Congregação da Missão e as construtoras Solidum e Engeprat. O projeto está avaliado em R$ 35 milhões.

"Foram sete anos para aprovar o projeto junto ao Inepac [Instituto Estadual do Patrimônio Cultural]", afirma Luiz Fernando Gomes, sócio na Engeprat. "Um dos prédios estava prestes a cair, mas é uma obra única."

Os primeiros apartamentos, que serão entregues ainda neste semestre, têm atraído estudantes da vizinha Faculdade de Medicina de Petrópolis e também investidores com foco em locação de temporada, segundo Gomes.

"Atendem a um conceito de vida que está na moda, de moradia mais sustentável. Num seminário, os padres e seminaristas vivem em um quarto comum, de até 60 m². Isso foi dividido para que entrassem os apartamentos", diz o empresário. "No segundo e no terceiro pavimentos, as divisões foram feitas com drywall. Mas todas as paredes e as madeiras estão expostas."

O projeto permite unir os apartamentos para ampliar a metragem. As características originais do seminário lazarista foram mantidas.

A obra preserva toda a arquitetura do complexo, com poucas intervenções, de acordo com Gomes. "Em alguns pontos temos a alvenaria em pedra, em outros, o tijolo pré-moldado e o pau a pique. As colunas em que foi retirado o emboço [etapa anterior ao reboco] têm as cruzes em tijolo por dentro. Ficou uma exposição do método construtivo da época", afirma Gomes.

Há elementos feitos de madeiras nobres, como pinho de riga e canela. "As partes em pinho de riga eram importadas na época do Império, vinham da Rússia", conta Gomes.

Os projetos originais dos arquitetos do seminário foram emoldurados e estão expostos nos corredores do residencial.

COMUNIDADE SUSTENTÁVEL

Os moradores do São Vicente Residence terão uma grande área compartilhada, com área de trabalho ao ar livre, salas de reunião, jardim, lavanderia, academia, cozinha gourmet e um restaurante com pé direito de 8 metros de altura em paredes de pedra.

Os espaços de coliving serão administrados por empresas especializadas em compartilhamento de moradias.

"Conseguimos negociar para manter e restaurar a biblioteca, com um acervo de 40 mil livros históricos. Há até exemplar assinado por Machado de Assis", diz Luiz Fernando Gomes, da Engeprat.

Os apartamentos compactos do residencial custam entre R$ 240 mil e R$ 600 mil.

Quem foi São Vicente de Paulo O santo francês São Vicente de Paulo fundou a Congregação da Missão em 1625 com outros três padres. O objetivo era percorrer o interior da França para atender os camponeses.

Os padres eram conhecidos como lazaristas porque moravam na casa de São Lázaro, em Paris. A partir de 1646, eles partiram para missões na Itália, na Argélia, na Irlanda, na Escócia, na Polônia e em Madagascar.

São Vicente de Paulo morreu em 1660, aos 79 anos. Na época, a Congregação da Missão tinha 622 membros em oito países.

Os lazaristas chegaram ao Brasil em 15 de abril de 1820, vindos de Portugal.

Além de Petrópolis, o padre francês também foi homenageado em São Paulo. Na região central da capital paulista, uma rua do bairro de Santa Cecília leva seu nome.