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Semelhança entre sintomas de COVID e câncer de pulmão vira desafio para médicos

Natalie Rosa
·2 minutos de leitura

Um dos sintomas da COVID-19 é a tosse, e isso pode atrapalhar o diagnóstico de outras doenças graves, como o câncer de pulmão. De acordo com um estudo realizado pela instituição Cancer Research UK, em Londres, no Reino Unido, cerca de 350 mil pessoas a menos que o normal receberam o atendimento necessário urgente para o câncer, desde o fim de março, enquanto três milhões acabaram perdendo esse rastreamento pela condição estar sendo confundida com a doença provocada pelo coronavírus.

Segundo Neil Smith, clínico geral do Cancer Research UK, a queda desse atendimento urgente vem sendo como um "buraco negro" nos serviços contra o câncer. "O que eu mais notei durante o coronavírus é que poucos dos meus pacientes realmente chegam para me contar sobre os sinais e sintomas do câncer. Eles parecem relutantes", comenta o médico. No final de setembro, os encaminhamentos médicos de suspeita de câncer de pulmão ainda eram de 60% em relação ao cenário pré-COVID-19.

Smith diz que o que pode também ter causado a diminuição é não somente as normas de isolamento social, como também a redução de algumas regiões em exames de diagnóstico e raios-x. Além disso, mesmo recebendo o encaminhamento médico, muitos pacientes ainda relutaram para se dirigir a um hospital e conduzir os testes. No entanto, a semelhança entre os sintomas da COVID-19 e do câncer de pulmão podem ter sido os principais agravantes.

<em>Imagem: Reprodução/studiogstock/Freepik</em>
Imagem: Reprodução/studiogstock/Freepik

Assim como a doença provocada pelo SARS-CoV-2, entre os sintomas do câncer de pulmão está a tosse incessante por cerca de duas a três semanas, falta de ar, cansaço e falta de energia persistentes, e diferenciar é algo muito desafiador. "Possivelmente, na sociedade, e até mesmo na área da saúde, estamos presumindo que vários sintomas respiratórios estão relacionados à COVID", diz Smith, afirmando ainda estar preocupado com o diagnóstico tardio de câncer de pulmão que muitas pessoas possam ter.

Michelle Mitchell, executiva-chefe do Cancer Research UK, conta que a pandemia vem trazendo um impacto devastador nos serviços de câncer e nos pacientes. São milhões de pessoas que ficam esperando o momento certo para fazer o diagnóstico da doença, ou ainda o tratamento. Agora, para os próximos anos, a instituição estima um maior investimento para recuperar os serviços e o atendimento adequado.

Fonte: Canaltech

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