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"Sem querer", Cade revela quantos assinantes a Netflix tem no Brasil

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Uma declaração que deveria ter sido mantida em sigilo pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) revelou o total de assinantes da Netflix no Brasil. De acordo com o documento, que seria confidencial, mas acabou anexado a um processo relacionado a pequenas operadoras brasileiras de TV por assinatura, a plataforma de streaming tinha 19 milhões de usuários pagantes em nosso país em janeiro de 2021.

Colocado ao lado de outros números, essa informação ganha um pouco mais de contexto. O total de assinantes nacionais representa uma fatia de 10% do volume mundial, que é de 200 milhões de pessoas de acordo com dados divulgados oficialmente pela plataforma também em janeiro deste ano.

Já informações de junho de 2020, em uma pesquisa da consultoria CompariTech, indicavam o Brasil como o terceiro maior mercado do serviço, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. A moeda mais fraca, com as assinaturas pagas em real, nos coloca neste patamar, enquanto, em número absoluto de assinantes, o nosso país teria a medalha de prata.

O dado sobre o mercado nacional apareceu em uma manifestação da Neo TV, associação que representa empresas que detêm 2,5% do mercado de televisão à cabo no Brasil. O processo está relacionado à fusão da WarnerMedia com a Discovery, ainda assunto de discussões no órgão de defesa econômica — neste caso, a contestação estava relacionada à afirmação de que a Netflix seria uma concorrente aos serviços tradicionais de TV por assinatura.

De acordo com as informações do site Notícias da TV, o documento em questão foi apresentado pela Netflix em um processo que investigava o pagamento de bônus para o mercado publicitário pela Globo. O total de assinantes aparece em uma versão restrita, que não deveria ser divulgada de maneira pública — a plataforma não se pronunciou sobre a publicação nem costuma atualizar, desta maneira, seus totais de assinantes.

Normalmente, os processos no Cade contam com a apresentação de duas versões dos documentos exigidos pelo órgão: uma pública, que pode conter dados suprimidos ou pontos ausentes; e outra privada, de acesso apenas aos dirigentes. Nestas, estão dados sigilosos e informações internas que são necessárias em investigações e processos, mas que não podem ser publicadas de forma livre. No caso do serviço de streaming, a alegação é que o total regional não é divulgado por questões estratégicas, com a companhia, normalmente, falando apenas em seus totais globais. O Cade não falou sobre o caso.

Anteriormente, a mais recente informação da Netflix sobre seu total de assinantes era de setembro de 2019, quando ela comemorou a marca de 10 milhões de assinaturas no Brasil. Como o total de 19 milhões que aparece no processo da Neo TV é de janeiro deste ano, também não é possível saber o volume atual até que a própria companhia se pronuncie.

Fonte: Canaltech

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