Mercado fechado

Sem provas, Bolsonaro acusa adversários de defender "fechar igrejas" no Twitter

Presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição

Por Eduardo Simões

(Reuters) - O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), deu o tom do que deve ser sua campanha em seu primeiro tuíte após a largada da corrida eleitoral nesta terça-feira, ressaltando a agenda de costumes e liberal na economia e contrapondo o que afirma serem propostas de seu principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e o amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia", escreveu o presidente.

Lula ou o PT não defenderam o fechamento de igrejas, mas esse tem sido um boato, agora mencionado por Bolsonaro, que tem preocupado o PT. No fim de semana, questionado pela rádio CBN sobre o alegação falsa que circula em igrejas evangélicas, o deputado Marco Feliciano (PL-SP), que é pastor, admitiu que tem "alertado seu rebanho" e que vê risco de "uma perseguição que pode culminar com o fechamento de igrejas".

"Deputado bolsonarista que usa a fé e a religião pra enganar o povo admite abertamente a fake news de que Lula vai fechar igrejas. Não é só mentira como é crime. TSE precisa agir com essa gente. Lula respeita a crença de cada um e sancionou a lei de liberdade religiosa", respondeu na segunda-feira, no Twitter, a presidente do PT, Gleisi Hoffman.

O partido gravou um vídeo para tentar conter o rumor, dizendo que Lula é cristão.

Bolsonaro tem adotado a estratégia de enfatizar a agenda de costumes em busca de agradar o eleitorado evangélico, incluindo a participação recentemente de vários eventos dessas denominações religiosas.

Na postagem desta terça-feira, Bolsonaro explorou ainda outros pontos caros ao público, cerca de 30% da população e fatia na qual a campanha do PL espera crescer.

"Temos o privilégio de não precisar enganar o povo sobre quais são nossos valores neste período: somos a favor da família, do livre mercado e do direito à legítima defesa. Somos contra as drogas e o narcotráfico, o controle da mídia e internet, a ideologia de gênero e o aborto", acrescentou.

O presidente também acusa constantemente, sem provas, o PT e Lula de serem favoráveis ao aborto e à legalização das drogas. O petista já afirmou ser pessoalmente contra a interrupção da gravidez, ao mesmo tempo que ressaltou que o assunto precisa ser tratado sob o prisma da saúde pública. Tampouco há registro de declarações públicas de Lula a favor da legalização das drogas.