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Sem prevenção, casos podem dobrar a cada três dias, diz secretário

Rafael Bitencourt

Wanderson de Oliveira reforçou a importância das medidas não farmacológicas propostas pelo ministério nesta sexta-feira O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, alertou que o número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus pode dobrar a cada três dias se não forem tomadas as medidas não farmacológicas propostas nesta sexta-feira pelo governo às equipes de saúde e à população de todo o país.

“Estamos no momento ideal para fazer isso, no ponto ótimo para que isso não aconteça”, afirmou o secretário em apresentação feita a jornalistas.

O técnico lembrou que a chegada do outono, em 20 de março, marca o início do período de sazonalidade das síndromes gripais no país, quando ocorre o aumento de casos. Outro estágio monitorado do avanço sazonal dessas doenças ocorrerá na chegada do inverno, em 20 de junho. A covid-19 entrou na lista de infecções monitoradas.

As medidas não farmacológicas são consideradas a maneira eficaz de minimizar a transmissão do novo coronavírus dentro do país. A expectativa é de retardar e conter o pico da epidemia que costuma sobrecarregar os sistemas de saúde dos países com transmissão sustentada da doença.

Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

Segundo Oliveira, 81% dos casos confirmados até o momento no país são “importados”. Ele considera que, com isso, fica demonstrado que ainda há uma “forte relação” dos caos de infecções no país com as viagens internacionais.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou que as capitais do Rio de Janeiro e São Paulo registram dois casos de transmissão sustentada (comunitária), quando não é identificada a origem da contaminação.

Oliveira afirmou que, até agora, não foi observado o aumento das internações com o quadro de síndrome de aguda grave nas duas capitais. Ele explicou que, ao chegar ao estágio de transmissão local sustentável, o gestor local pode declarar quarentena se a taxa de ocupação dos leitos de UTI alcançar 80%.

“Cabe ao gestor local adotar esse tipo de medida de acordo com a sua realidade”, disse o secretário. A quarentena pode abranger um bairro, um quarteirão, uma rua ou um hospital. “Não precisa ser a cidade inteira”, reforçou.

Sobre a suspensão de aulas, Oliveira afirmou que a medida já pode ser considera “oportuna”, mas a adoção cabe ao gestor local.

Até agora, 12 pacientes infectados estão hospitalizados, sendo cinco no Estado de São Paulo, dois em Pernambuco e um no Distrito Federal, no Espírito Santo, na Bahia, no Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.