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Sem máscara, diretores da Anvisa aproveitam holofotes, falam de religião e citam trabalho árduo

GUSTAVO FIORATTI
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Órgão vinculado ao Ministério da Saúde, a Anvisa soube aproveitar neste domingo (17) a audiência de seu canal no YouTube, amplificada pela votação pública para aprovar a utilização emergencial de duas vacinas contra o coronavírus. Foi a melhor chance da agência para tentar imprimir, durante as cinco horas da reunião exibidas digitalmente, a imagem de uma instituição que trabalhou muito e lutou para não ceder às pressões e negligências políticas e que manteve seu olhar crítico em relação às falhas do governo federal. Precedida por relatórios didáticos e detalhados sobre o desenvolvimento das vacinas de Oxford e a CoronaVac, a transmissão terminou com votação unanimemente favorável ao uso emergencial da medida sanitária para barrar a pandemia. Entre um voto e outro, os diretores da Anvisa enalteceram a boa aplicação da ciência e da medicina, em uma exibição marcada por discursos sóbrios, inflamada apenas na expressão de solidariedade à população e aos familiares dos 200 mil mortos pela Covid-19, marca atingida neste início de ano. A qualificação dos atributos da equipe da agência também foi uma tônica constante. Em seu voto, Alex Campos, um dos diretores da agência, elogiou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, demitido em abril do ano passado por divergir de Bolsonaro sobre diversas medidas do governo federal em relação à pandemia. Campos criticou a ineficiência do poder público, em todas as suas esferas, na gestão da crise sanitária e afirmou que a Anvisa se pauta por evidências. "No nosso vocabulário não há espaço para negação da ciência. Verdadeiramente não há", disse, em confronto direto com as manifestações contra a vacina. O presidente da agência, Antonio Barra Torres, em duas oportunidades, adjetivou como heroico o trabalho da instituição, atribuiu a missão daquela equipe a uma escolha divina e falou sobre pressões de diversas origens que teria enfrentado na condução dos estudos para a aprovação da medida emergencial. Não deu, porém, detalhes de possíveis embates com o ministro Eduardo Pazuello e o próprio presidente da República, que desde o início da pandemia têm minimizado não apenas os efeitos da Covid-19 na saúde pública, mas também a importância da vacinação. A audiência do canal no YouTube da Anvisa superou 20 mil. Número baixo, porém amplificado com a replicação pelos principais programas jornalísticos dominicais de TV, com destaque para a cobertura da GloboNews, praticamente em tempo integral da votação. Durante a sessão, houve cuidado para a descrição de como se dariam os protocolos de contenção do vírus, inclusive com a explicação da razão para não se usar máscaras durante algumas das falas. O uso foi considerado desnecessário em vista de outras medidas, inclusive de uma plateia esvaziada, mas era claro que os diretores não cumpriam o distanciamento mínimo -muitos estudos falam em 2 metros-, especialmente em um auditório fechado. Para bons entendedores, ficou patente a insatisfação não apenas com o governo. A última provocação contra o populismo de direita também no exterior e os antagonistas das instituições que primaram pela observação científica veio em uma menção ao presidente americano John Kennedy. "Todos respiramos o mesmo ar", foi a frase atribuida ao democrata assassinado em 1963.